ASMI é otimista sobre a safra 2021 e o consumo de salmão no Brasil
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ASMI é otimista sobre a safra 2021 e o consumo de salmão no Brasil

Projeções de capturas para as cinco espécies do Alasca apontam para volume superior ao visto no ano passado

26 de julho de 2021

Em meio às pesquisas indicando o aumento do consumo de pescado durante a pandemia, o Brasil bateu recordes na importação de salmão no ano passado e seguiu em forte ritmo no primeiro trimestre deste ano, com quedas recordes no preço do produto. Diante da extensão dos efeitos pandêmicos, o Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI) permanece otimista em relação ao consumo de salmão no País. 
 
O que fortalece essa perspectiva é a safra deste ano começou em maio com projeções de capturas para as cinco espécies presentes no Alasca, apontando para um volume superior ao visto no ano passado. “2020 foi um ano bastante atípico, não só por causa da pandemia, mas também por conta da safra de salmão selvagem no Alasca. E isso realmente impactou a nossa habilidade de ter um maior volume de produto no mercado. Porém, como essa projeção é maior para esse ano, a gente imagina preços mais competitivos e, com certeza, as espécies bem mais fortes no mercado agora em  2021 e 2022”, contou Carolina Nascimento, representante do ASMI.
 
“Acredito que a pandemia fez com que a população tenha se interessado um pouco mais pela questão de consumir proteínas mais saudáveis, sendo peixe uma delas”, falou. 
 
Para as principais espécies de salmão no Alasca demandadas pelo Brasil - sockeye, keta e pink -, a previsão aponta para capturas em 234 milhões de peixes e 433 peixes em 2021, respectivamente. Os números são superiores aos vistos em 2020.
 
Especificamente sobre o salmão keta (ou chum), o mais importado do Alasca para o mercado brasileiro, a ASMI estima-se um valor de 106 milhões de libras, o que representaria uma queda de 23% em relação à média de 10 anos, mas seria um aumento de quase 80% em relação à safra de 2020. “Para as três principais do Brasil, a gente acredita que vai ter preços mais competitivos e chegando mais [peixes] no mercado", completou Nascimento.
 
 
Para o Coho, que representa apenas cerca de 5% do valor total de salmões selvagens capturados no Alasca, porém é muito apreciado no mercado doméstico americano e tem preços bastante similares ao sockeye, a projeção de captura para 2021 é 56% maior do que a captura de 2020, com a expectativa de pesca de 25 milhôes de libras desta espécie.
 
A espécie mais nobre e mais rara dos salmões selvagens do Alasca, King ou também conhecida como Chinook, tem projeção de captura neste ano de 269 mil peixes, número ligeiramente superior a 2020, mas que mantém a espécie com produção restrita nas águas do Alasca.
 
Salmão do Alasca no mercado brasileiro
 
Sobre o posicionamento do salmão do Alasca no mercado brasileiro e as restrições ao peixe congelado pela tradição no fresco, Nascimento explica que o salmão selvagem do Alasca é um produto de nicho de mercado e, quando comparado ao mercado global, 80% da produção de salmão é proveniente de cativeiro e os outros 20% são selvagens. “Então, o salmão selvagem nunca vai superar em vendas de volumes, ou ficar equiparado ao salmão de cativeiro, isso em nenhum lugar do mundo, muito menos no Brasil”, explicou.
 
Segundo ela, outro ponto a ser observado está no fato de ser um “produto novo e diferente''. “Apesar de ser originalmente salmão, são espécies diferentes. A gente está falando de um produto com tamanhos diferentes, texturas diferentes, genéticas diferentes, sabor e coloração. Então, são peixes completamente distintos entre si, as cinco espécies de salmão selvagem e também completamente distintas do salmão que é produzido em cativeiro”, observou Nascimento.
 
 
A profissional defende que ao lidar com um produto novo no mercado, a tradição do fresco vai continuar existindo e o que precisa ser fortalecido é educação do público sobre o congelado. “Acredito que no Brasil, o mercado tenha uma má experiência para os descongelados em determinados sentidos, porque muitas vezes é produto de baixa qualidade encontrado no mercado. “Você está falando de um produto super premium, um produto de altíssima qualidade, apesar ‘do congelado’. Então, essa é uma visão que tem que ser desconstruída no mercado e a gente vem trabalhando muito para isso.”
 
Para Nascimento, não existe a necessidade de que os brasileiros sejam convencidos de que o Alasca é uma boa alternativa de salmão em relação aos salmões de outras origens, mas sim de um trabalho sobre “valor” em um mercado nacional que precisa aumentar o consumo de pescado e o conhecimento sobre suas espécies. “Não é o Alasca versus as outras origens. Nós queremos o Alasca como uma opção selvagem. É agregar valor aos portfólios e trazer ao consumidor uma opção diferente de consumo. Eu não preciso comer a mesma coisa todo dia”, observou.
 
 
De olho nas plataformas de vendas
 
Nascimento também destacou as parcerias que a ASMI tem realizado com plataformas de vendas de pescado como a Fishtag e e-commerces como do Carrefour, Swift e Pão de Açúcar. "A Fishtag é um grande exemplo de startup que vem investindo no comércio online e a gente acredita que isso seja o futuro. Quando você pensa do ponto de vista de canais de distribuição ou ainda sobre iniciativas de marketing, o e-commerce já aparece com enorme importância na forma como vendemos pescado ou qualquer outro alimento - é um círculo, onde comunicação dentro de lojas físicas, promoções online em redes sociais, anúncios em jornais e rádios, entre outras iniciativas se conectam. O que fazemos dentro de loja e em campanhas digitais sempre está conectado e vai se refletir em vendas seja em um ponto físico ou no e-commerce. Por isso, acreditamos fortemente que este modelo de venda e distribuição deva ser cada vez mais fortalecido. Temos interesse em mais parcerias neste sentido, claro."
 
Mesmo com a missão da ASMI em promover os peixes do Alasca no mercado, os valores ainda são um fator importante na tomada de decisão do consumidor. O que pode colocar o salmão do Alasca ocupando o mesmo nicho de mercado do salmão fresco do Chile, por exemplo. Em relação a isso, Nascimento explica que mesmo entendendo que o consumidor brasileiro seja muito sensível a preços e isso seja um fator importantíssimo na tomada de decisão de compra, que isso não é um obstáculo para os salmões selvagens do Alasca. Preços variam de acordo com safra e espécie, há salmões para mercados de consumo popular e também há salmões para mercados de nicho, o mesmo em que está posicionado o salmão fresco premium de cultivo.
 
Conforme ela, o pink e o keta são muito competitivos e realmente têm um preço muito “interessante”, ficando compatível em determinados momentos e até mais barato que o salmão de cultivo. O sockeye já tem uma captura naturalmente menor e é um produto mais de nicho de mercado com um preço um pouco mais elevado, assim como o coho e o king.
 
 
Sobre o posicionamento no mercado, tanto o pink quanto o keta são de consumo massivo, apesar dos volumes não serem similares ao volume de salmão de cultivo. “Esse é um mercado mais popular e estará disponível no grande varejo para a maior parte da população. O que é muito legal porque, afinal de contas, proporciona que mais pessoas experimentem o peixe e tenham mais acesso a ele”, observou.
 
Já o sockeye é um pouco mais restrito, embora ocupe seu espaço premium no mercado. “Então, acredito que o espaço no mercado esteja ali para tanto um salmão fresco chileno de cultivo com todos os seus pontos positivos e também para o salmão do Alasca de consumo mais massivo, como o keta e pink, também para o sockeye um pouco mais restrito. Cada um tem o seu espaço, suas características e seus preços diferentes, seu consumidor e seus usos diferentes”, finalizou.
 
Bom início em Bristol Bay
 
Nos últimos dias, a Seafood Source destacou que as capturas de sockeye em Bristol Bay, no Alasca, confirmando o que se espera da temporada. As frotas haviam pescado 4 milhões de peixes até 30 de junho, de acordo com o KDLG do Alasca.
 
Embora os números iniciais pareçam bons, tudo indica que a pesca deve se manter por um tempo relativamente longo, o que deve ajudar a evitar gargalos na pesca e no processamento. A pesca da Baía de Bristol passou pela pandemia na temporada passada com um preço base decepcionante de apenas US $ 0,75 (EUR 0,63), mas recebeu notícias inesperadas de que a Peter Pan Seafoods pagará um preço base de US $ 1,10 (EUR 0,93).
 
Normalmente, o preço base em Bristol Bay não é anunciado até que a maioria dos desembarques esteja concluída, mas Ken Taylor, vice-presidente de compras, vendas e logística de Peter Pan , disse à SeafoodSource que a nova propriedade de Peter Pan queria dar paz de espírito aos pescadores. “O preço de US $ 1,10 foi obviamente um salto significativo em relação a 2020, um aumento de quase 60%, e esperamos que ajude os pescadores e suas famílias a planejarem suas finanças para o ano. É a primeira vez em muito tempo que um processador postou isso antes, e sabemos como isso é importante para nossa frota ”, disse Taylor.
 
Créditos da imagem: ASMI

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