Executivos debatem incertezas e oportunidades do pescado em Barcelona
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Executivos debatem incertezas e oportunidades do pescado em Barcelona

Intrafish Leadership Breakfast reuniu cerca de 100 líderes das principais empresas do setor no mundo

21 de abril de 2026

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O cenário global de incertezas marcou o tom do Intrafish Leadership Breakfast, realizado na manhã desta terça-feira, 21 de abril, em Barcelona. O debate antecedeu o início da 32ª Seafood Expo Global/Seafood Processing Global, que acontece na Gran Via da Fira de Barcelona e vai até 23 de abril.
 
O encontro ocorreu no Leonardo Royal Hotel e reuniu cerca de 100 executivos das principais empresas de pescado do mundo para debater os desafios e perspectivas do setor.
 
Durante o evento, líderes da indústria discutiram temas que vão desde a disponibilidade de matéria-prima — tanto na pesca extrativa quanto na aquicultura — até as mudanças na percepção do consumidor em relação ao consumo de pescado. Em um contexto internacional considerado instável, fatores como conflitos geopolíticos e a imposição de tarifas comerciais foram apontados como elementos que impactam diretamente o desempenho do setor.
 
Um ano difícil 
 
Na avaliação dos participantes, o momento atual é de forte imprevisibilidade. A combinação de guerra, tensões comerciais e oscilações econômicas globais torna 2026 um ano particularmente difícil para projeções. Nesse cenário, encontros como o Interfish Leadership Breakfast ganham relevância ao proporcionar um espaço estratégico para troca de informações, alinhamento de expectativas e construção de leituras mais precisas sobre o mercado.
 
Do ponto de vista da matéria-prima, a discussão girou em torno da necessidade de compreender melhor os movimentos de oferta e demanda em um ambiente volátil, além de buscar caminhos que garantam maior resiliência às cadeias produtivas. Exemplos concretos foram apresentados durante o debate. Toke Binzer, CEO da Royal Greenland, destacou as limitações crescentes na oferta de bacalhau: “A cota é cada vez mais limitada, as capturas estão reduzindo, mas no Mar de Barents especificamente nós somos a única empresa a crescer esse suprimento”.
 
Já sob a ótica da aquicultura e das oportunidades de mercado, Graham Ellis, CEO da Regal Springs, chamou atenção para o potencial ainda pouco explorado da tilápia na Europa. “A Europa vê a tilápia como ‘trash fish’, mas há uma oportunidade clara de disputar um segmento de baixo custo, o que chamamos de ‘half and bottom shelf’, as prateleiras mais baixas do varejo”, afirmou. Segundo ele, a empresa está bem posicionada para esse movimento. “Temos um produto com suprimento estável, como é o caso da tilápia, e acredito que essa categoria ainda pode crescer muito na União Europeia”.
 
 
A busca por maior previsibilidade no abastecimento também apareceu como prioridade entre os compradores. Jordan Muldoon, gerente de compras de pescado da rede de supermercados britânica ASDA, destacou a importância da colaboração ao longo da cadeia. “Parceria é a palavra-chave neste momento para garantir o suprimento de matéria-prima”, afirmou. Segundo ela, a empresa, que atende 98% dos lares do Reino Unido, tem priorizado fornecedores capazes de oferecer estabilidade, o que explica o avanço da aquicultura em seu portfólio. 
 
Na mesma linha, Miguel Garcia Moya, gerente de Categoria de Pescado do The Apollo Group, reforçou o movimento em direção a produtos de cultivo, especialmente para atender o segmento de cruzeiros. “Estamos vendo cada vez mais aquicultura sendo direcionada para esse mercado, justamente para garantir maior estabilidade de fornecimento”, disse.
 
A executiva Jordan Muldoon também chamou atenção para a falta de conexão com determinados mercados fornecedores. “Não conheço e não tenho contato com fornecedores do Brasil, mas temos interesse em entender melhor esse mercado”, afirmou, sinalizando oportunidades potenciais para exportadores brasileiros.
 
Outro ponto central do debate foi a comunicação com o consumidor final. Segundo os executivos, o setor ainda falha em destacar atributos básicos do pescado, especialmente seu valor nutricional. Há uma percepção de que a indústria “take for granted”, ou seja, assume que o consumidor já entende os benefícios do produto. No entanto, essa estratégia tem se mostrado limitada. 
 
“A gente precisa reforçar mais essa mensagem, principalmente nos produtos embalados”, destacou Jordan, ao mencionar um caso concreto de sucesso. “Tivemos um fornecedor que aumentou as vendas em mais de 20% simplesmente ao incluir na embalagem a quantidade de proteína presente em uma porção de pescado”.
 
Diante desse panorama, o principal objetivo do encontro foi promover uma visão mais clara, ainda que em meio às incertezas, sobre os rumos da indústria global de pescado, incentivando a colaboração entre os principais players para enfrentar um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos.
 
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Créditos da imagem: Seafood Brasil

 

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