Indústria dos EUA e UE pede tempo e flexibilidade no sistema CATCH
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Indústria dos EUA e UE pede tempo e flexibilidade no sistema CATCH

Entidades solicitam prazo adicional à União Europeia para ajustar exigências de rastreabilidade sobre o pescado exportado

20 de abril de 2026

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A cobertura da Seafood Expo Global 2026 tem o oferecimento da Brusinox

Representantes da indústria de pescado dos Estados Unidos e da Europa pediram para a União Europeia (UE) mais tempo e flexibilidade para a implementação do novo sistema digital CATCH, que entrou em vigor na UE em janeiro de 2026. O mecanismo busca assegurar que todo pescado que ingressa no mercado europeu tenha origem legal e esteja em conformidade com os padrões regulatórios do bloco, reforçando os esforços de combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU).

O pedido, formalizado nesta segunda-feira (20) em Barcelona, busca encontrar soluções viáveis para as novas exigências de certificação de captura. No entanto, o impasse central reside na obrigatoriedade de que cada remessa importada detalhe a rastreabilidade de cada embarcação de captura por peso, incluindo data de desembarque, o que tem gerado gargalos operacionais severos. Segundo um comunicado, as novas regras podem interromper o fluxo do pescado - sobretudo do Alasca (EUA) - aos europeus.
 
O debate sobre o sistema CATCH e as novas exigências da UE adiciona uma camada de urgência à participação brasileira na 32ª Seafood Expo Global/Seafood Processing Global. O evento, que acontece na Gran Via da Fira de Barcelona entre os dias 21 e 23 de abril, é visto pelas empresas nacionais como uma grande oportunidade de acesso ao mercado europeu, embora o País corra contra o tempo para finalmente voltar a exportar pescado à UE, com a missão sanitária de junho de 2026 se aproximando. Saiba mais sobre a participação brasileira aqui.
 
 
Inviabilidade operacional e impactos comerciais

De acordo com o Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI), o cumprimento integral das exigências do novo sistema CATCH é inviável devido à logística de captura e processamento no Alasca, onde o transbordo e a consolidação de cargas (commingling) são práticas comuns há décadas.

Neste sentido, o diretor executivo do ASMI, Jeremy Woodrow, destacou a relevância dessa relação comercial para o setor. “A União Europeia é o maior parceiro comercial do Alasca, onde mais de US$ 750 milhões em exportações diretas entraram no mercado da UE em 2025. O relacionamento confiável e de longa data entre o Alasca e a União Europeia foi construído ao longo de muitas décadas, e qualquer interrupção acarreta consequências negativas a longo prazo para os pescadores, processadores e comunidades do Alasca, bem como para os importadores, empresas e consumidores europeus.”

Assim, as entidades alertam que a burocracia do sistema tem causado preocupações e bloqueios não intencionais. “Estamos observando casos em que as importações de pescarias americanas altamente regulamentadas, que apresentam um risco essencialmente zero de pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU), estão enfrentando bloqueios administrativos não intencionais devido a restrições documentais”, disse Guus Pastoor, presidente da Seafood Europe. “Isso evidencia desafios práticos mais amplos para a rastreabilidade de países terceiros como um todo, que atualmente impõem um fardo pesado de atrasos e aumento dos custos operacionais para importadores e despachantes aduaneiros da UE.”

Julie Decker, presidente da Pacific Seafood Processors Association (PSPA), reforçou que algumas remessas poderiam exigir milhares de entradas de dados manuais. "Sem modificações, esses requisitos correm o risco de interromper uma parte substancial das exportações de pescado dos EUA para a UE", afirmou a dirigente, ressaltando a incompatibilidade do sistema digital com a rotina de agregação de capturas em embarcações de apoio (tenders).

 

Gestão baseada em ciência e apelo à Comissão Europeia

Outras lideranças do setor, incluindo a At-Sea Processors Association (APA) e o National Fisheries Institute (NFI), reiteram seu compromisso com a transparência na cadeia de suprimentos global, mas pedem coordenação prática. Lisa Wallenda Picard, presidente do NFI, lembrou que a pesca IUU prospera onde falta monitoramento. “A pesca IUU é um desafio real que ameaça os recursos marinhos e mina a competição justa para colhedores responsáveis. Ela prospera onde há falta de monitoramento forte, aplicação e governança pesqueira. Esse está longe de ser o caso no Alasca. As pescarias dos EUA operam sob um dos frameworks de gestão e aplicação baseados em ciência mais rigorosos do mundo, com responsabilidade em cada etapa.”

Em suma, o setor solicita que os importadores europeus compartilhem essas preocupações com o Comissário de Pesca e Oceanos da UE, Costas Kadis, e com as administrações de seus respectivos Estados-membros. A indústria defende a extensão do período de carência para que ajustes técnicos no sistema CATCH permitam a continuidade do fluxo comercial de espécies, como a polaca do Alasca, bacalhau e salmão do Pacífico.

 

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Créditos da imagem: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

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