Sustentabilidade: o valor inegociável para a Noruega
Por Randi Bolstad, diretora Brasil do Conselho Norueguês da Pesca no Brasil*
22 de janeiro de 2026
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O modelo norueguês de pesca
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*Artigo escrito para o Anuário Seafood Brasil #60
A indústria pesqueira da Noruega, representada pelo Conselho Norueguês da Pesca (CNP), tem um compromisso inegociável com a sustentabilidade.
Tal compromisso implica o monitoramento constante das populações de criaturas marinhas de interesse comercial estratégico, a fim de garantir a preservação destas espécies. Trata-se de uma aliança entre órgãos governamentais e instituições científicas – entidades que, baseadas na análise dos cardumes por modelos matemáticos, sugerem cotas máximas anuais de pesca.
Embora o cumprimento das cotas acarrete perdas momentâneas para os elos da cadeia produtiva, do pescador ao consumidor final, ele é fundamental para a manutenção dos estoques de recursos marinhos em níveis saudáveis. Por isso, a Noruega rejeita o imediatismo e trabalha com políticas de longo alcance, que visam o bem-estar coletivo para as gerações futuras.
É sob a luz deste compromisso pétreo com a sustentabilidade que devem ser lidos os números da indústria pesqueira da Noruega divulgados no início do segundo semestre de 2025.
O relatório traz algumas notícias auspiciosas. A mais relevante delas dá conta de que as exportações globais de pescados da Noruega atingiram um recorde histórico em julho: as transações somaram no mês o valor de 13,9 bilhões de coroas norueguesas (NOK). Trata-se de um aumento de NOK 1,1 bilhão (ou 8%) em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Naquilo que mais interessa ao mercado brasileiro, contudo, os números sinalizam acentuada retração. A exportação de peixes salgados e secos, ate setembro este ano, totalizou 8.781 toneladas, ou NOK 626 595 milhões NOK– uma subida de NOK 82 milhões, ou 15 %, em relação até setembro 2024. Em termos de volume de exportação, aumentou 2% em todos os espécies entre Gadus Morhua e o peixe salgado e seco.
Apesar do preço aumentar consideravelmente, se observa que volume e valor cresceram, mostrando a importância deste produto no mercado. Com o considerável aumento de preço no bacalhau Gadus morhua, se vê uma migração de consumo para outras espécies de peixe salgado e seco com preços mais acessíveis como por exemplo o saithe e o zarbo.
Ou seja, com a redução de cotas, o fornecimento diminuiu e o preço do Gadus morhua naturalmente subiu, por não poder abastecer a demanda. E é isso que vou detalhar mais adiante.
As cotas anuais de pesca são um instrumento previsto no “modelo norueguês” para regular a exploração dos recursos marinhos e assegurar a sustentabilidade dos pescado da Noruega.
No centro do que chamamos de “modelo norueguês”, está a abordagem científica para a governança das nossas pescas, sendo que uma das partes mais importantes dessa gestão são as cotas recomendadas para os estoques de peixes selvagens.
Em 2024, o Instituto de Pesquisa Marinha (IMR, na sigla em inglês) apresentou recomendações para as cotas de captura de bacalhau do Ártico Nordeste para 2025. As diretrizes foram elaboradas pelo grupo científico bilateral Noruega-Rússia para a pesca no Mar de Barents, com base em metodologias aprovadas pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES, na sigla em inglês) – a mais antiga organização científica intergovernamental do mundo, com sede em Copenhague (Dinamarca).
As recomendações implicam uma redução substancial nas cotas de bacalhau norueguês em 2025. Além disso, a pesca do bacalhau do Ártico Nordeste em 2025 foi limitada a 340 mil toneladas, um pouco acima do valor recomendado de 311.587 toneladas, o que representa uma redução de 25% em relação à cota de 2024.
Os números se referem à captura total de Gadus morhua no Mar de Barents, que engloba o peixe consumido localmente e as exportações de pescado fresco e congelado, além do bacalhau salgado e seco destinado a mercados como o Brasil.

Este texto faz parte da série de artigos publicados no Anuário Seafood Brasil #60. Para ler este e outros artigos na íntegra presentes nesta edição, clique aqui.
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Créditos imagem texto: Divulgação
Créditos imagem: Canva
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