RN retoma negociações para exportar camarão ao mercado chinês
Governo estadual volta a Brasília para destravar liberação e setor aposta em impactos positivos para a carcinicultura
29 de janeiro de 2026
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Erro técnico atrasou liberação do camarão brasileiro
Setor critica falta de avanço nas negociações
Infraestrutura e impactos de médio prazo
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O Rio Grande do Norte deve retomar, na próxima semana, as tratativas para viabilizar a exportação de camarão potiguar para a China, um dos principais mercados consumidores do produto no mundo. A informação foi confirmada ao portal Tribuna do Norte pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca do estado, Guilherme Saldanha, que irá a Brasília para dar sequência às negociações junto ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
A liberação do produto era aguardada para julho do ano passado, mas acabou sendo adiada após um erro técnico no processo de cadastramento, que impediu a inclusão do camarão brasileiro na pauta de exportações autorizadas pelo governo chinês. A expectativa inicial era de que a situação fosse resolvida até o fim de 2025, o que não se concretizou.
“Continuamos na expectativa, mas é uma pauta que depende diretamente do Ministério da Pesca e do Ministério da Agricultura”, afirmou Saldanha.
Ao portal Tribuna do Norte, o secretário comentou que o problema ocorreu na etapa de complementação do cadastro do produto junto às autoridades chinesas. Embora a espécie correta — o P. vannamei — tenha sido identificada, houve equívoco na classificação do método de produção.
“Eles cadastraram como camarão vannamei de captura, mas essa espécie é explorada exclusivamente por meio de cultivo aquícola. Não existe vannamei de captura no mundo”, explicou Saldanha, ao detalhar o entrave técnico que acabou postergando a liberação do produto brasileiro ao mercado asiático.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, falta prioridade para resolver a situação, especialmente diante das restrições enfrentadas pelo setor em outros mercados.
“Em 2025, a China importou mais camarão do que os Estados Unidos e toda a Europa. Esses dois mercados estão praticamente fechados para o Brasil — os EUA por conta do tarifaço e a Europa por questões sanitárias. O país hoje exporta muito pouco camarão, e isso está diretamente ligado à falta de interesse em destravar essa pauta”, afirmou.
Segundo Rocha, superada a barreira atual, o Rio Grande do Norte tem plena capacidade de atender o mercado chinês com qualidade e competitividade. “Estamos mais próximos da China do que o Equador, que exporta cerca de 700 mil toneladas por ano para lá. O camarão brasileiro é processado e refrigerado, o que garante viabilidade logística”, pontuou.
Apesar do otimismo, o setor reconhece desafios logísticos. Orígenes Monte, presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão (ANCC) destaca que a produção potiguar ainda depende de portos fora do estado para exportação. “Hoje, toda a nossa exportação sai pelos portos de Suape (PE) e Pecém (CE). Não utilizamos portos do Rio Grande do Norte”, observou.
Para ele, a abertura do mercado chinês tende a gerar impactos positivos na produção e na geração de empregos, mas os efeitos devem ser percebidos no médio e longo prazos. “Não é algo imediato, pois exige adaptações por parte da indústria”, concluiu.
Créditos da imagem: Seafood Brasil
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