O impacto no Brasil sobre o bloqueio do Marrocos da sardinha congelada
A proibição das exportações marroquinas impõe desafios logísticos e aumenta a dependência da safra nacional para manter estoques industriais
Wilson Santos - 19 de fevereiro de 2026
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O histórico de dependência e as oscilações de mercado

A hegemonia marroquina e as fontes alternativas

Perspectivas para o abastecimento local e a Quaresma
A partir do dia 01 de fevereiro de 2026, o cenário global do pescado sofreu um revés significativo com a decisão do Marrocos de proibir as exportações de sardinha congelada. E em especial para o Brasil, onde a indústria de conservas mantém uma demanda média de 125 mil toneladas anuais, a medida acende um alerta crítico - leia mais aqui.
Historicamente, o mercado nacional equilibra as oscilações da captura local - limitada por questões ambientais e oceanográficas - com a importação de matéria-prima. No entanto, como o país africano é o nosso principal fornecedor externo, a interrupção do fluxo exige uma análise profunda sobre a segurança do abastecimento e os reflexos econômicos para o setor de frutos do mar no curto e médio prazo.
A análise dos últimos 15 anos revela que a sardinha é marcada por ciclos de abundância e escassez - no entanto, nos últimos 40 anos, não houve um único período em que o Brasil prescindisse da importação de sardinha congelada para suprir sua demanda interna. E esse movimento se torna essencial por um motivo bem simples: a legislação ambiental brasileira restringe a captura local a apenas 7 meses por ano, respeitando o período de defeso que ocorre entre outubro e fevereiro.
Ao observarmos o recorte dos últimos 5 anos, a participação do produto importado na demanda total foi de 43%, apresentando variações drásticas: em 2021 e 2022, as importações chegaram a representar 73% e 71% do suprimento, enquanto em 2023 e 2024 esse índice caiu para 13% e 15%.
Dentro deste cenário, posso dizer que conseguir essa diversificação de fornecedores externos não é tarefa simples, justamente porque exige conciliar volumes elevados, tamanhos específicos da espécie, custos competitivos e, principalmente, a qualidade do produto após o descongelamento.
Nesse contexto, também é possível dizer que a região sul do Marrocos (Saara Ocidental) se consolidou como a maior fonte de suprimento para as conservas brasileiras nos últimos 25 anos, tudo graças à sua vasta oferta de matéria-prima e capacidade industrial.
A importância do Marrocos é traduzida em números robustos: nos últimos 5 anos, o país foi responsável por 75% de toda a sardinha congelada importada pelo Brasil. Em resumo, o pico dessa dependência ocorreu em 2023, quando 87% das compras externas vieram de portos marroquinos. Ainda é interessante dizer que mesmo em 2025, o ano de menor participação, o país ainda respondia por 55% do total importado.
Diante da ausência desse parceiro, o mercado brasileiro tem buscado alternativas em nações como Omã, Japão, China, México, Venezuela e Rússia. Em 2025, por exemplo, Omã e Japão se destacaram como as principais origens alternativas, representando 78% das importações não marroquinas. Contudo, a magnitude da proibição atual representa uma ameaça real para a atividade econômica da pesca.
Embora não existam informações definitivas sobre a duração do bloqueio, o impacto já é sentido globalmente, com a Espanha, que é outro grande comprador, manifestando preocupação pública sobre o desabastecimento da matéria-prima.
No mercado brasileiro, o impacto imediato é mitigado pelos estoques atuais. Até abril, período que engloba o pico de consumo da Quaresma, a indústria e o varejo estão devidamente abastecidos, sem excessos, mas também sem o risco de falta de produto para a Semana Santa. Sendo assim, a grande incógnita reside no restante do ano de 2026.
Dessa forma, a manutenção dos estoques em níveis seguros dependerá diretamente do desempenho da captura local. Com o início da temporada de pesca em 01 de março, a expectativa do setor, que já é tradicionalmente alta, ganha agora um componente de urgência.
Como o histórico prova que a necessidade de importação é uma constante, o sucesso da safra nacional será o fiel da balança para garantir que a sardinha continue chegando à mesa do consumidor brasileiro sem sobressaltos de preço ou disponibilidade.
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Créditos da imagem: Canva
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Sobre Wilson Santos

- Engenheiro Industrial Químico e Diretor Industrial da Coqueiro- Quaker por 25 anos. Atualmente na área de consultoria com empresa WS Consultoria. wsconsul58@gmail.com







