Mapa dá alerta oficial à OIE sobre ISKNV no País
Aquicultura

Mapa dá alerta oficial à OIE sobre ISKNV no País

Alerta ocorreu quase sete meses após o primeiro informe oficial sobre a presença do vírus no Brasil

08 de fevereiro de 2021

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Quase sete meses após o primeiro informe oficial sobre a presença do iridovírus Infectious spleen and kidney necrosis virus (ISKNV) no Brasil, o Ministério da Agricultura (Mapa) emitiu um alerta oficial à Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), na última quinta-feira (04/02) informando que 219,5 mil animais morreram desde julho do ano passado em decorrência da enfermidade e outros 3,2 milhões foram expostos à contaminação.
 
A doença não é de notificação obrigatória e foi detectada pela primeira vez em julho do ano passado, mas só foi informada formalmente ao órgão internacional após confirmação em testes realizados em um laboratório de referência, no Japão. Ainda segundo a OIE, o Brasil não detectou danos a espécies nativas.
 
Como detalha o Globo Rural, o comunicado menciona São Paulo, Goiás e Minas Gerais como os Estados afetados, com alta mortalidade em alevinos (cerca de 75%). 
 
Em nota, a Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR) destacou que a doença é mais grave em peixes em fase inicial de produção e que está recomendando às empresas produtoras de tilápia a seguir as orientações do Ministério da Agricultura. “Tais recomendações incluem aquisição de formas jovens de peixes de fontes confiáveis, atenção especial à limpeza e desinfecção das propriedades, além da destinação de peixes para abate em abatedouros com inspeção sanitária oficial”, informou a entidade.
 
De acordo com o relatório da OIE, o Ministério da Agricultura do Brasil informa que realizou testes em 31 criações de tilápia no País, das quais seis apresentaram presença do vírus causador da ISKNV.
 
 
Primeiro registro
 
Em agosto do ano passado, o Brasil registrou um caso positivo do ISKNV em uma fazenda de engorda de tilápias em Gouverlânia (GO). E o Mapa recebeu, em 31/07, um laudo diagnóstico referente a peixes moribundos provenientes desta fazenda feito pelo laboratório Aquavet. A coleta da amostra analisada não era oficial, mas o resultado era reconhecido pelo Mapa.
 
“A investigação oficial do Serviço Veterinário Oficial (SVO) no estabelecimento de origem identificou mortalidade baixa, com peixes assintomáticos, animais que não apresentam sinais da doença, prontos para abate”, dizia o comunicado da PeixeBR.
 
Os peixes estavam alojados em tanques-rede instalados no reservatório de São Simão, na divisa entre os estados de Goiás e Minas Gerais. “As despescas programadas pela propriedade foram autorizadas para processamento em estabelecimento sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), no mesmo estado, uma vez que esta enfermidade não é uma zoonose, ou seja, não representa riscos à saúde humana.”
 
Em setembro, a Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP) enviou ao secretário da Secretária de Aquicultura e Pesca (SAP/MAPA), Jorge Seif Jr. e ao Secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal, um pedido de apoio para a desinterdição de áreas aquícolas que estavam paradas por causa da presença do vírus.
 
Conforme o documento da PeixeSP, desde o final do primeiro semestre de 2019, o vírus foi localizado em inúmeras fazendas dos principais polos produtores, nos Estados de SP, MG, BA, MS, PR e GO. A Associação cita como fonte uma entrevista da Revista Panorama da Aquicultura com entrevista ao Médico Veterinário José Dias. 
 
 
Para a entidade, as informações do texto evidenciavam a presença do vírus em diversos Estados brasileiros, “o que demanda a declaração do Mapa da situação de endemia no País”. Um dos produtores interditados que, “agiu de maneira responsável e consequente ao notificar as autoridades sanitárias”, segue penalizado duplamente com a interdição das áreas, "imputando-lhe mais prejuízos que os causados pelo patógeno”. O caso tinha causado inconformidade de vários produtores do País que alegavam tratar-se de uma endemia.
 
Um dos produtores interditados que, “agiu de maneira responsável e consequente ao notificar as autoridades sanitárias”, seguia penalizado duplamente com a interdição das áreas. O produtor, que não teve o nome citado no documento, era Cleiton Coldebella.
 
Ele contou, em 26 de agosto de 2020, durante o Aquishow na Rede, que decidiu notificar o Mapa por se dizer “preocupado com seus pares e concorrentes” e disse que “a melhor forma de controlar a severidade da doença é compartilhar o conhecimento”.

 

Créditos da imagem: Flickr

Aquishow na Rede, ISKNV, Jorge Seif Jr., Mapa, OIE, PeixeBR, PeixeSP, SAP, tilápia

 
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