Do Alasca para o Brasil: o pescado selvagem que conquista paladares
Comercialização

Do Alasca para o Brasil: o pescado selvagem que conquista paladares

*Por Letícia Baptiston, Trade & Marketing na River Global, representante do Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI) na América Latina

18 de dezembro de 2025

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*Artigo escrito para o Anuário Seafood Brasil #60

O consumidor brasileiro está cada vez mais habituado à presença das espécies de peixes selvagens, naturais e sustentáveis do Alasca no mercado. Esse cenário amplia o espaço dessa proteína na dieta, seja em filé, posta ou em blocos porcionados (como é o caso do bloco de polaca do Alasca). Logo, a disponibilidade deste produto em diferentes localidades promove o desenvolvimento do mercado e o aumento do consumo do pescado de origem americana no Brasil.

Como evidência desse movimento, o trabalho do Alaska Seafood Marketing Institute (ASMI) — parceria público-privada entre o governo do Alasca e a indústria pesqueira — vem, há duas décadas, desenvolvendo o mercado brasileiro para esses produtos, firmando parcerias e trazendo novidades para a mesa do consumidor.

Em 2024, por exemplo, as importações brasileiras de peixes selvagens do Alasca totalizaram 942 toneladas, movimentando US$ 3,09 milhões. Esse resultado representou um aumento de 19% em relação a 2023, seguindo a tendência de crescimento observada desde 2021, como demonstrado no gráfico a seguir:

Entre as espécies mais importadas pelo mercado brasileiro, o bloco de polaca do Alasca se destacou, com 372 toneladas importadas — 68% a mais do que em 2023 — e um valor acumulado de US$ 472.080. Além dela, o surimi, matéria-prima à base de bloco de polaca do Alasca, também teve desempenho relevante em 2024, com 267 toneladas importadas (32% acima de 2023), gerando mais de US$ 776.000 em negócios entre os dois países.

O crescimento nas importações desses itens indica o ganho de notoriedade do produto entre os peixes brancos comercializados no Brasil. Neste contexto, o bloco de polaca do Alasca, congelado desta forma logo após a pesca e exportada para a América Latina, tem se mostrado uma excelente opção para empresas brasileiras, sendo um produto de altíssima qualidade, versátil, prático e competitivo.

Outro peixe da família dos peixes brancos que ganhou espaço nas importações foi o bacalhau do Pacífico, que somou 243 toneladas em 2024 — um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Esse crescimento reforça o interesse do consumidor brasileiro por espécies que entregam sabor, qualidade e sustentabilidade.

Além da onda de peixes brancos diretamente do Alasca entrando no Brasil, outro produto protagonista foi o salmão selvagem keta, sendo responsável por 238 toneladas métricas e US$ 797.480 em valor. Porém, diferente dos peixes brancos, os salmões selvagens do Pacífico contaram com uma queda de 23% do volume importado o que pode ser explicado pela safra do salmão no ano de 2024, em que os volumes de captura estiveram abaixo do esperado: o total acumulado do ano ficou abaixo de 100 milhões de salmões, o que corresponde a 70% da previsão feita antes da temporada e representa 34% em relação ao volume capturado em 2023. Por ser um pescado selvagem, fatores ambientais e biológicos de cada espécie e do ambiente, podem impactar os volumes de captura e importação, conforme ocorrido em 2024. 
 

Um panorama do cenário de 2025 

Até agosto de 2025, as importações brasileiras de peixes do Alasca caíram 59% em relação ao mesmo período de 2024. A queda está principalmente relacionada com a retração nas importações de salmão selvagem e do bloco de polaca do Alasca, a qual não mostrou relação aparente às novas políticas de tarifação entre os Estados Unidos e o Brasil.


 

Este texto faz parte da série de artigos publicados no Anuário Seafood Brasil #60. Para ler este e outros artigos na íntegra presentes nesta edição, clique aqui.
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Créditos imagens: Divulgação/ASMI

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