Cultivo de tilápia em Itaipu avança c/ entrega de estudos ao Itamaraty
Documentação técnica avalia viabilidade jurídica e ambiental para produção de até 400 mil toneladas anuais no reservatório binacional
11 de fevereiro de 2026
O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, entregou no dia 03 de fevereiro ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) um conjunto de estudos técnicos para viabilizar a produção de tilápia no reservatório da usina.
Segundo a assessoria de imprensa da Itaipu, a movimentação ocorre após a sanção da Lei nº 7.618/2025 no Paraguai, que autoriza o cultivo de espécies exóticas em tanques-rede no país vizinho, motivando o governo brasileiro a acelerar a análise jurídica e ambiental para a adoção de uma política de fomento integrada na fronteira - leia mais aqui.
A análise do material pelo Itamaraty, em conjunto com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), é considerada um passo fundamental para garantir a segurança jurídica da atividade. De acordo com Verri, em resumo, o processo está em fase avançada e depende da concordância dessas pastas para que a política de produção seja implementada.
“A aprovação de lei específica no Paraguai, que autoriza o cultivo de espécies exóticas, enseja a avaliação do Itamaraty e dos Ministérios da Pesca e do Meio Ambiente. Dependemos da concordância destas pastas para adotarmos uma política de fomento à produção da tilápia, conforme determinação do presidente Lula”, afirmou.
Já a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do MRE, destacou que a demanda possui potencial para gerar desenvolvimento econômico para ambos os países. “Trata-se de uma demanda benéfica para os dois países, com grande potencial de geração de desenvolvimento”, destacou a embaixadora Gisela Padovan.
No Paraguai, o entendimento legislativo é de que o cultivo confinado não viola o Tratado de Itaipu. Com a nova legislação paraguaia, o país busca não apenas incentivar o consumo interno da proteína, mas também mirar o mercado de exportação, aproveitando a forte demanda global pela tilápia brasileira. A expectativa é que o projeto beneficie diretamente cooperativas e associações de pescadores artesanais nas regiões lindeiras dos dois lados da fronteira.
Estimativas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que o reservatório de Itaipu possui capacidade de suporte para produzir 400 mil toneladas de pescado por ano, divididas igualmente entre Brasil e Paraguai. Para o lado brasileiro, este volume representaria quase o dobro da atual produção nacional de tilápias em águas da União, consolidando o reservatório como um dos maiores polos mundiais da espécie.
Além do ganho em volume, o projeto projeta a criação de aproximadamente 12,5 mil empregos diretos e indiretos. O impacto deve se estender por toda a cadeia de piscicultura, desde a indústria de rações e alevinos até o processamento e a logística de comercialização. Aqui, cabe pontuar que atualmente, a usina já mantém tanques-rede em caráter experimental para pesquisas científicas, cujos resultados dão suporte técnico ao plano de expansão comercial pretendido.
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Créditos da imagem: Canva
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