A indústria de salmão no Chile corre riscos com o novo presidente?
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A indústria de salmão no Chile corre riscos com o novo presidente?

Prestes a se tornar o presidente mais jovem da história do Chile, aos 35 anos, Gabriel Boric, pregava diversas mudanças no País

26 de janeiro de 2022

Se economicamente a criação de salmão no Chile é uma das atividades mais valiosas no País, já que o peixe é um importante item de exportação. Socialmente, a salmonicultura chilena tem gerado polêmicas e levantado diversos debates, como a sustentabilidade ambiental. Agora, os temas prometem ganhar mais visibilidade com o novo presidente Gabriel Boric.
 
Prestes a se tornar o presidente mais jovem da história do Chile, aos 35 anos, Boric, esquerdista e ex-ativista estudantil, assume seu novo posto em março após ser eleito em uma campanha que pregava diversas mudanças no País, incluindo reformas na indústria, como a de salmão chileno, como destaca o SalmonBusiness.
 
Natural de Punta Arenas, no extremo sul do Chile, Boric entrou na política pela primeira vez em 2011, quando, durante o último ano de seu curso de direito, se tornou líder dos protestos pela educação que paralisaram o Chile.
 
O SalmonBusiness faz uma ressalva de que desde que perdeu por pouco o primeiro turno presidencial para Kast em novembro, ele moderou seu programa e reformulou sua imagem em uma tentativa de atrair os eleitores “centristas”.
 
Nativo e ex-representante do extremo sul do país, Boric está familiarizado com a indústria do salmão. O presidente eleito pediu uma reavaliação do impacto econômico e ambiental de grandes indústrias, como a criação de salmão. E expressou sua preocupação com o crescimento contínuo da indústria em Magalhães. 
 
Ele classificou a criação de salmão como um dos maiores poluidores do Chile, relatou o diarioacuicola.cl, e afirmou que a indústria “deixou a conta de suas ações serem pagas pelos impostos de todos”.
 
Na campanha eleitoral do ano passado, Boric prometeu “enterrar” o modelo econômico neoliberal deixado pela ditadura do general Augusto Pinochet e aumentar os impostos dos “super-ricos” para ampliar os serviços sociais e combater a desigualdade. A Seafood Source conta que durante seu discurso de vitória eleitoral, Boric disse que também se concentrará na sustentabilidade ambiental e se oporá a iniciativas que “destruam” o país.
 
O veículo destaca que ele não mencionou a indústria do salmão, mas expressou oposição ao projeto de mineração de ferro, cobre e ouro de Dominga, que foi adiado por anos devido à forte oposição de grupos sociais e ambientais por temores de que o projeto cause sérios danos ambientais. “Destruir o mundo é destruir a nós mesmos. Não queremos mais zonas de sacrifício, não queremos projetos que destruam nosso país, que destruam comunidades e exemplifico isso em um caso que foi simbólico: Não à Dominga”, disse durante seu discurso.
 
Em resposta, o Conselho de Salmão do Chile disse esperar que a Boric procure se envolver com a indústria para impulsionar o crescimento sustentável. “Esperamos que o presidente eleito avance no caminho da construção de acordos e busca de pontos de mútuo acordo para que o Chile tenha um bom futuro, retomando o caminho virtuoso de crescimento sustentável e progresso para seu povo”, disse um executivo do Conselho.
 
No entanto, o Seafood Source ressalta que se Boric se mantiver fiel às suas opiniões expressas anteriormente sobre a indústria de criação de salmão, mudanças podem ser esperadas.
 
Ao veículo local SalmonExpert, Boric reforçou sua visão de que a indústria da aquicultura tem atualmente um impacto negativo no ecossistema marinho com fezes de peixes, resíduos de ração, resíduos de medicamentos e substâncias químicas usadas para tratar piolhos do salmão, que ele acredita que permanecerão na água.
 
“As empresas também deixam resíduos industriais nos fiordes, como jangadas abandonadas, plásticos, bóias e cordas, entre outras coisas. As fezes dos peixes e os resíduos de ração também levam a níveis mais baixos de oxigênio no mar, o que dificulta a sobrevivência do ecossistema”, falou. Ele também lista uma série de outros aspectos que considera negativos da indústria.
 
Já as prioridades propostas por Boric em relação à indústria de criação de salmão do Chile incluem diversos tópicos, como estudar o impacto que as densidades de criação de salmão têm no meio ambiente e diminui-las se forem descobertos impactos deletérios; avaliar empresas prestadoras de serviços terceirizados para determinar se operam dentro de padrões ambientais e sociais aceitáveis; promover o diálogo entre as lideranças corporativas do setor e os trabalhadores para definir como melhorar o processo produtivo para torná-lo mais sustentável sem prejudicar o emprego, entre outros.
 
Concessões de aquicultura
 
Na semana passada, a votação de projeto para retirar concessões de aquicultura de áreas protegidas foi adiada após um intenso debate na sessão da Comissão de Pesca, Aquicultura e Interesses Marítimos da Câmara dos Deputados do Chile, diante da discussão geral e votação do projeto iniciado por moção de alguns deputados, que altera a Lei nº 18.892, Lei Geral de Pesca e Aquicultura para excluir a atividade de cultivo de espécies hidrobiológicas exóticas em áreas protegidas.
 
Conforme a Salmon Expert, isso aconteceu de acordo com o que foi proposto pelo deputado Jorge Brito, presidente da Comissão, o projeto tem duas ideias principais. “A primeira é retirar os centros de criação de salmão das áreas marinhas protegidas e a segunda é não conceder mais concessões. Quanto ao primeiro, em relação ao prazo de validade e quanto tempo levará para sair dessas áreas, exigirá uma discussão muito aprofundada em particular e se começarmos a discussão agora, dado o número de audiências solicitadas em relação a esse projeto", falou.
 
“Não vejo nenhuma possibilidade de recebê-los todos e desenvolver a discussão em particular antes do próximo mês de março. É uma contradição iniciar o processo e depois mudar de ideia, não dando a continuidade que os projetos de lei exigem”, explicou o parlamentar.
 
O debate contou ainda com apresentações sobre o projeto de Arturo Clement, presidente da Associação Chilena da Indústria de Salmão AG (SalmonChile); Joanna Davidovich, diretora executiva do Salmon Council; e Carlos Odebret, presidente da Associação dos Produtores de Salmão e Truta de Magalhães.
 
Durante sua apresentação, Arturo Clement afirmou que, como associação comercial, trabalha há anos por uma indústria sustentável e comprometida com o meio ambiente. “Somos uma das atividades produtivas mais regulamentadas em termos de quando, como e onde produzir. A produção de salmão está limitada às Áreas Adequadas para Aquicultura (AAA) definidas pelo Estado, que têm incerteza, porque muitas atividades e áreas se sobrepõem”, disse.
 
Antibióticos em pauta
 
Em outra polêmica envolvendo a indústria do salmão, após recomendação da Seafood Watch de que se evite o consumo de salmão chileno pelo alto teor de antibióticos, os senadores Ximena Órdenes e Guido Girardi estão pressionando os parlamentares a aprovarem o projeto de lei que regulamenta e torna transparente o uso de antibióticos na criação de salmão, como destacou o diário El Mostrador.  
 
“Somos autores do projeto de lei que visa regulamentar o uso de antibióticos na criação de salmão, mas que tem sido contestado por um lobby gigantesco. Não vamos proibir seu uso, mas isso não é preventivo. Não é lógico que se uma pessoa adoece, os 7 milhões de habitantes recebem remédios. Isso acontece com a criação de salmão e gera sérios problemas de resistência”, falou Girardi.
 
Conforme ele, a "lei procura melhorar isso e é por isso que esperamos que seja aprovada em breve, porque vai beneficiar a criação de salmão. Existem empresas sérias que estão reduzindo o uso de antibióticos. Propomos que, ao vender seus produtos, eles possam rotular se usam ou não antibióticos. Os principais inimigos da criação de salmão são as más empresas que prejudicam a imagem desta importante indústria”, completou.
 
Créditos: Pixabay

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