Cencosud adquire St. Marche, que entra em recuperação judicial
Negócio ocorre após o St. Marche registrar um prejuízo líquido de R$ 188 milhões em 2025
25 de junho de 2026
A varejista chilena Cencosud anunciou a compra integral da rede de supermercados premium St. Marche, em uma operação que condiciona a aquisição à conversão da recuperação extrajudicial da rede paulistana em judicial. O negócio ocorre após o St. Marche registrar um prejuízo líquido de R$ 188 milhões em 2025. A conclusão da transação depende do término da recuperação judicial e da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Como destaca o InvestNews, a Cencosud, um dos maiores varejistas da América Latina, concretizou a compra do St. Marche com o objetivo de expandir sua atuação no segmento de alta renda na capital paulista. A aquisição foi financiada por capital proveniente de desinvestimentos recentes no Brasil, incluindo a venda de dezenas de lojas da bandeira Bretas para o grupo Supermercados BH.
O St. Marche, fundado em 2002, opera 32 lojas no estado de São Paulo, incluindo o Empório Santa Maria, nos Jardins. A rede, que faturou mais de R$ 1,078 bilhão nos 12 meses encerrados em março, é reconhecida por seu posicionamento em produtos frescos e curadoria, com uma clientela de alto poder aquisitivo. Em 2025, o prejuízo líquido do St. Marche atingiu R$ 188 milhões, um aumento de mais de 200% em relação ao ano anterior, enquanto a receita caiu de R$ 1,1 bilhão para R$ 960 milhões.
Desafios e reestruturação da dívida
Entre 2021 e 2023, o St. Marche investiu cerca de R$ 120 milhões para expandir de 21 para 33 lojas, com a intenção de financiar o crescimento através de uma abertura de capital na Bolsa. No entanto, a janela de IPOs fechou devido à virada do cenário macroeconômico, impedindo a captação de recursos via ações.
Sem o IPO, a empresa recorreu a dívidas bancárias e emissão de títulos. A alta dos juros no período elevou o custo da dívida antes que as novas lojas pudessem gerar retorno suficiente. O caixa foi pressionado, e a dívida superou R$ 600 milhões, levando a companhia a solicitar a recuperação judicial para renegociar com credores e fornecedores.
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