Talento brasileiro na genética de tilápia
Com trajetória que passa pelo setor público e pela pesquisa, Deborah Rodrigues leva a formação brasileira à Spring Genetics
19 de junho de 2026
Em Piracanjuba, no interior de Goiás, Deborah Rodrigues aprendeu cedo a pescar e, mais do que isso, a observar. "Tenho lembranças muito marcantes dos domingos na chácara da minha aví, às margens do rio Piracanjuba, onde eu adorava preparar a tralha de pesca, ir com ela pescar piau e voltar orgulhosa com o resultado – que, muitas vezes, era preparado para toda a família”. Os peixes pequenos, a avó deixava vivos para que Deborah pudesse observá-los na água. “Isso, sem dúvida, despertou em mim uma curiosidade desde cedo.”
A curiosidade transformou-se em estudo e, durante a Medicina Veterinária na Universidade Federal de Goiás, um módulo de piscicultura consolidou o caminho da cientista. “Lembro claramente de participar desse módulo durante a semana acadêmica e ouvir um palestrante destacar o potencial da aquicultura como uma das cadeias mais sustentáveis para a produção de proteína. Foi um momento de conexão muito forte para mim”.
Nascida em uma família de pequenos produtores rurais, Deborah sempre teve visão prática e responsável sobre a produção de alimentos. “Quando associei essa vivência com o potencial técnico e sustentável da aquicultura, tive clareza de que aquela era a área em que queria atuar”.
Ainda na graduação, passou por estágios no Tocantins, com reprodução de espécies nativas, e no Amazonas, no manejo do pirarucu. Recém-formada, assumiu a chefia da Divisão de Piscicultura Continental no Ministério da Agricultura, onde atuou com planejamento estratégico e políticas públicas entre 2020 e 2022. Mais tarde, conciliou o mestrado em Zootecnia, concluído em 2024, com a atuação como Agente Local de Inovação Rural pelo Sebrae.
A mudança para os Estados Unidos não veio como ruptura, mas como continuidade desse percurso. Deborah enxergou na experiência a chance de ampliar repertório pessoal e profissional e o ponto de virada foi um estágio de verão na Spring Genetics. "Ao final do estágio, recebi o convite para integrar a equipe, o que representou um reconhecimento muito significativo do meu trabalho."
Hoje, na Flórida, atua como Field Technician e Biosecurity Officer, em uma rotina voltada às operações de campo e estratégias de biosseguridade na produção de tilápia. O dia passa pelo manejo alimentar, monitoramento da saúde dos peixes, análises parasitológicas e acompanhamento da qualidade da água. Ela também participa das operações de hatchery e do programa de melhoramento genético. "Esse equilíbrio entre técnica e prática é o que me motiva."
A genética aparece como extensão de uma lógica que a acompanha desde cedo: produzir mais com menos, de forma mais sustentável. A pesquisadora atua ainda no apoio às mídias da empresa e em ações internas de comunicação.
Deborah vive com o marido em uma região próxima ao Parque Nacional Everglades. "Ao chegar, descobri uma realidade muito diferente e surpreendente, especialmente o contato com a natureza e o estilo de vida outdoor." A cientista atualmente pedala e está tirando licença de pescador.
No dia a dia, o Brasil aparece, principalmente, no contato familiar: ela tem duas irmãs que vivem nos Estados Unidos, uma também na Flórida e outra em Atlanta. "Isso me faz sentir um pouco mais próxima do Brasil, especialmente quando encontramos produtos típicos da nossa cultura, como comida brasileira e até pamonharia, trazendo um pouco do meu Goiás para perto.”







