Pesca de arrasto: Sindipi sedia reunião do projeto REBYC II
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Pesca de arrasto: Sindipi sedia reunião do projeto REBYC II

Projeto visa fortalecimento da atividade no mundo, levando em consideração a importância social e econômica

Luana Arruda Sêga - 16 de julho de 2019

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O Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) sediou uma reunião do Projeto Manejo Sustentável da Fauna Acompanhante na Pesca de Arrasto na América Latina e Caribe (REBYC II – LAC), no dia 27 de junho de 2019. O Projeto REBYC, coordenado no Brasil pelo Professor Fábio Hazin, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), faz parte da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e, foi criado visando o fortalecimento da pesca de arrasto no mundo, levando em consideração a importância social e econômica desta atividade.

Vale destacar que esse projeto já está na sua segunda fase de execução e não acontece apenas no Brasil. O REBYC I foi executado em países asiáticos, com resultados muito positivos, o REBYC II está sendo realizado em países da América Latina (Brasil, Colômbia, Costa Rica, México, Suriname e Trindade e Tobago) e a expectativa é de que o REBYC III aconteça em países da África.

A pesca de arrasto está cada vez mais ameaçada no mundo, inclusive no Brasil, pois é responsabilizada por grande parte dos impactos ambientais gerados sem levar em consideração aspectos sociais da atividade. A proposta desse projeto é tornar essa pesca sustentável para que a mesma não deixe de existir, pois ela também é responsável pela geração de alimento e renda para milhões de pessoas no mundo.

No Brasil, existem duas frentes do projeto REBYC: criar um melhor aproveitamento da fauna acompanhante da pesca de arrasto de camarões e desenvolver uma proposta de Plano de Gestão da pesca de arrasto de camarões no País. O desenvolvimento da proposta de Plano de Gestão está baseado em uma abordagem ecossistêmica, ou seja, não é focado apenas no recurso, e sim em toda a cadeia produtiva que envolve essa atividade.

A abordagem ecossistêmica é formada por três componentes: o ecológico, o social e o da governança. O componente ecológico leva em consideração não apenas o recurso explorado, mas também todo o ecossistema, com suas interações bióticas e abióticas. O componente social leva em consideração a importância socioeconômica da atividade e o conhecimento empírico dos próprios pescadores na gestão pesqueira. Já o componente da governança é representado pelo órgãos públicos responsáveis pela gestão pesqueira do País e da fiscalização dessas atividades.

De maneira geral, o objetivo do projeto é conduzir a pescaria para o equilíbrio entre o bem-estar ecológico e o bem-estar humano e social, alcançando o desenvolvimento sustentável por meio de planejamento, monitoramento e avaliação. A elaboração do Plano de Gestão considera as diferenças regionais do ambiente e da atividade pesqueira, já são realizadas reuniões locais com os pescadores e armadores de pesca de camarão para a construção participativa do plano. Desses encontros saem representantes que vão para as reuniões estaduais e regionais.

Durante a reunião realizada no Sindipi que contou com cerca de 15 armadores de pesca da região, foram levantados os problemas existentes na pesca de arrasto de camarões, soluções para os mesmos e quem serão os responsáveis por essas soluções. A previsão é de que todos os encontros sejam realizados ainda esse ano e que o Plano de Gestão esteja finalizado até o primeiro trimestre de 2020.

Sobre Luana Arruda Sêga
 
  • Oceanógrafa da Coordenadoria Técnica do Sindicato dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) e Assessora Técnica do Coletivo Nacional de Pesca e Aquicultura (Conepe)
 
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