Open Tuna promete mais rastreabilidade e transparência à pesca de atum
Pesca

Open Tuna promete mais rastreabilidade e transparência à pesca de atum

Portal traz um compilado de dados sobre os mapas de bordo

19 de abril de 2021

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A Oceana Brasil realizou na manhã desta segunda-feira (19/4), a cerimônia de lançamento do site Open Tuna. A plataforma, desenvolvida com apoio técnico da Global FishingWatch, é uma iniciativa para promoção da transparência dos dados de capturas das pescarias comerciais de atuns. 
 
O evento aconteceu em formato de live e teve a presença do diretor científico da Oceana, Martin Dias, do correspondente estatístico do Brasil na Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT), Bruno Mourato,  da diretora da Global FishingWatch, Margot Stiles e do representante da Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável, Rodrigo Hazin. A moderação foi feita pela jornalista Mariana Grilli, do Globo Rural.
 
O portal Open Tuna traz um compilado de dados sobre os mapas de bordo de 14 embarcações vinculadas ao projeto. O diretor científico da Oceana, Martin Dias, explicou que, apesar do número baixo de embarcações representando uma parcela pequena da produção nacional, elas são grandes exportadoras.
 
Conforme ele, o  maior desafio com a paltaforma não é tanto o tecnológico, mas da capacitação e do trabalho contínuo com os pescadores para o aporte contínuo dos dados. “A plataforma só faz sentido se ela for alimentada por mais e mais barcos. Precisamos melhorar a qualidade da informação e isso será bom para os negócios, para a pesquisa e para os oceanos”, defendeu.
 
Segundo Martin Dias, o Open Tuna visa, sobretudo, uma melhoria na gestão pesqueira, hoje travada pela falta de dados. “A transparência nas informações de pesca facilitará o trabalho de pesquisadores e do próprio governo, contribuindo para consolidação de uma cadeia produtiva mais transparente e sustentável, com pescado de alta qualidade e rastreabilidade total da produção”, afirma o diretor.
 
O Open Tuna foi impulsionado por empresários exportadores de atum e criadores da Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável, também reúne a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e as organizações não governamentais Projeto Albatroz e Projeto Tamar. O grupo se juntou para promover a sustentabilidade da pescaria por meio da modernização da coleta e sistematização de informações, transparência e adoção de medidas para melhorar as práticas a bordo visando reduzir as capturas acidentais.
 
A diretora da Global Fishing Watch, Margot Stiles, explicou que o sistema identifica cada modalidade de pesca por padrão de atividade. Ela reforçou que o projeto está liderando o caminho da transparência para um dos pescado mais populares do mundo, em um mercado onde a falta de transparência em frotas de água distantes às vezes esconde sinais de práticas de pesca ilegais ou abaixo do padrão. “Esperamos que mais empresas e governos sigam o exemplo do setor privado brasileiro", estima.
 
"Fazer o monitoramento e ter dados de qualidade é um trabalho global. Com o apoio de vocês, podemos ter uma visão compartilhada com outras frotas do mundo", concluiu Margot Stiles.
 
Envio de dados
 
Todos os anos, os governos dos países que realizam a pesca do atum nessa região devem enviar à ICCAT dados das capturas. Esses dados são fundamentais para se quantificar o tamanho dos estoques de atum e para o estabelecimento de cotas de captura para cada nação. No entanto, o governo brasileiro não possui um programa de captação e envio desses dados.
 
 
 
O correspondente estatístico do Brasil na ICCAT e professor da Universidade Federal de São Paulo (USP), Bruno Mourato, contou que, desde 1966, o Brasil participa dos trabalhos desta comissão. Desde então, o País se relaciona com o report de dados estatísticos desta pescaria. "Temos de informar todos os anos os dados de produção pesqueira e características da frota".
 
Mas, conforme ele, a falta de agilidade na compilação de dados estatísticos vem dificultando os trabalhos para fornecimento dessas informações. “Sem um programa nacional de estatística pesqueira, incluindo um Programa de Observadores de Bordo, e com muitos dados ainda sendo aportados pelo setor produtivo em formulários de papel, a compilação dos dados estatísticos a serem aportados pelo Brasil à ICCAT é excepcionalmente morosa. O envio de dados para a ICCAT seria muito facilitado caso tivéssemos um sistema de reporte de informações em formato digital”, afirma,
 
“Iniciativas como essa [projeto Open Tuna] é que devem servir de modelo para o governo federal seguir em frente. Que as demais pescarias também sejam inseridas, como de cardume associado e de vara e isca viva”, completou Mourato.
 
Coalização Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável
 
O representante da Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável, Rodrigo Hazin explicou que a Coalização Aliança do Atlântico para o Atum Sustentável apresenta um conceito inovador, ousado e disruptivo da cadeia da pesca de atuns, através a união de produtores, indústrias de processamento e de seus clientes em torno de ideias e ações coordenadas com propósito de liderar a promoção da pesca sustentável de atores no Oceano Atlântico e ao estímulo do consumo responsável de atum para clientes, distribuidores, restaurantes e supermercados.
 
Atualmente, entre as ameaças ao grupo, estão: a oferta crescente de atum no nos mercados sem qualidade, sem transparência e sem controle de origem (rastreabilidade); A concorrência com a pesca ilegal não reportada e não registrada (IUU) nos mercados nacionais e internacionais, comprometendo a sustentabilidade dos estoques a longo prazo; Alto grau de informalidade de empresas e armadores de atuns brasileiros e não-observância às leis trabalhistas, sanitárias, ambientais ou às normas da autoridade marítima e a falta de autonomia para definição do preço de venda no final da cadeia, (dependência dos atravessadores).
 
“Temos um produto muito bom, muito valorizado nos Estados Unidos, mas não há identificação. Clientes como da rede Whole Foods seguem estas listas de produtos a serem evitados e, portanto, não podemos vender a eles”,  lamentou Hazin.
 
 
Global FishingWatch
 
As áreas de pesca e a atuação da frota participante do Open Tuna foram voluntariamente abertas pelos empresários e disponibilizadas na plataforma Global FishingWatch, que monitora a movimentação de embarcações de pesca comercial do mundo todo. Os algoritmos da plataforma permitem identificar mais de 70 mil navios de pesca, bem como determinar o tamanho, a potência do motor e o tipo de pesca de cada barco, onde pescou e por quanto tempo.
 
 
 
 
A frota brasileira ainda não tem seus dados abertos na Global FishingWatch. As primeiras embarcações a compartilharem seus dados de rastreamento são todas vinculadas ao Open Tuna. 
 
“Ao contribuirmos para registrar nossas produção em mapas de bordo digitais e abrir o rastreamento de nossas embarcações na Global FIshingWatch, mostramos nosso compromisso com a transparência e a legalidade de nossas operações”, aponta Hazin. 
 
Segundo ele, dados abertos e digitais também vão contribuir para entrarmos num novo patamar, garantindo rastreabilidade integral da produção, comprovando a origem e qualidade do pescado.
 
Para a Oceana, a tendência é que o Open Tuna crie um diferencial no mercado. "Pescadores que operam de forma legal e respeitosa são rastreados de uma maneira fácil e aberta, mostrando sua conformidade com a legalidade. Com isso, operadores clandestinos aos poucos vão enfrentar maiores dificuldades, podendo ser identificados por meio da Global FishingWatch por seus históricos de irregularidade ou de comportamento suspeito".
 
A cerimônia de lançamento do Open Tuna pode ser vista aqui.
 
Créditos da imagem: Acervo/Seafood Brasil
 

 

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