Inédito: importações de tilápia superam exportações brasileiras
Aquicultura

Inédito: importações de tilápia superam exportações brasileiras

Volume de filé vindo do Vietnã atingiu 6,5% da produção mensal e acendeu um sinal de alerta sobre a competitividade da cadeia nacional

19 de março de 2026

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O avanço das importações de tilápia registrou um marco inédito em fevereiro de 2026, alterando a dinâmica comercial de um dos setores mais robustos do agronegócio. Pela primeira vez na história, o volume importado superou as exportações brasileiras, com a entrada de mais de 1,3 mil toneladas de filé vindas do Vietnã. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), esse montante equivale a aproximadamente 4,1 mil toneladas de peixe vivo, representando uma fatia de 6,5% do total produzido mensalmente no País.

 

Distorções de preço e competitividade "fora da porteira"

De acordo com a entidade, a principal preocupação do setor reside na agressividade dos preços praticados pelo produto asiático, que chega ao mercado brasileiro cotado entre R$ 25 e R$ 29 por kg. Esse patamar se aproxima do custo da matéria-prima nas indústrias nacionais, criando o que a entidade classificada como uma distorção competitiva.

Neste contexto, o presidente da PeixeBR, Francisco Medeiros, ressalta o desempenho histórico do setor, mas adverte sobre o novo cenário. “A tilápia brasileira é a proteína que mais cresceu no país nos últimos 11 anos, com expansão superior a 10% ao ano, acima de suínos, aves, bovinos, leite e ovos. Esse resultado é mérito de toda a cadeia produtiva. Esse é praticamente o preço do peixe quando chega ao frigorífico no Brasil. Isso cria uma distorção importante na concorrência.”

Apesar da alta eficiência tecnológica dentro das fazendas, a entidade ressalta que a cadeia brasileira perde fôlego devido a gargalos tributários, encargos trabalhistas e isenções fiscais concedidas ao produto importado em alguns Estados. “Temos uma produção altamente eficiente, talvez a mais competitiva do mundo dentro da porteira. Mas, fora dela, a carga tributária e a burocracia comprometem esse desempenho”, discorre Medeiros. O dirigente reforça que o pleito do setor não é o protecionismo, mas a equidade: “Defendemos isonomia tributária, sanitária, trabalhista e ambiental. Só assim teremos uma concorrência justa”.
 

Riscos sanitários e a ameaça do vírus TiLV

Além do impacto econômico, a sanidade da piscicultura nacional entrou no radar de riscos - o Vietnã, conforme informa a PeixeBR, convive com enfermidades exóticas, com destaque para o vírus TiLV, que possui alta letalidade e ainda não está presente no Brasil. Em função disso, a entidade solicitou formalmente ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a realização de uma Análise de Risco de Importação (ARI) em território vietnamita.

“Existem doenças no Vietnã que não estão presentes aqui e que têm alta taxa de mortalidade. Precisamos dessa análise com urgência”, alerta Medeiros. Neste cenário, o presidente da PeixeBR reforça que a preocupação é que a introdução acidental de patógenos comprometa a quarta posição que o Brasil ocupa no ranking global de produção de tilápia.
 

Impacto na rentabilidade e transição de mercado

O crescimento da oferta externa ocorre justamente em um período de recuperação de preços no mercado interno, impulsionado pela demanda da Quaresma. Entretanto, a PeixeBR aponta que a entrada maciça do filé importado pode neutralizar esse movimento e pressionar as margens da indúistria brasileira. Para Medeiros, o equilíbrio gerado pelas exportações é fragilizado quando as importações avançam sem controle isonômico.

Em suma, o antidade destaca que o setor defende ajustes regulatórios urgentes para preservar o crescimento acumulado nas últimas duas décadas. “Construímos uma cadeia sólida nos últimos 20 anos, uma das mais promissoras do agro brasileiro. Não somos contra a importação, mas precisamos de condições iguais para competir”, conclui o presidente da Peixe BR.

 

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Créditos da imagem: Canva

 

 

 

 

 

 

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