FAO revela fraudes globais em pescado e tecnologias para combate
Novo relatório da FAO aponta que até 20% do comércio global de pescado pode ser afetado por fraudes, com riscos ambientais e à saúde
16 de abril de 2026
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Fraude em pescado: conceito e impactos
Ferramentas tecnológicas contra a fraude
Dados e estatísticas relevantes
Exemplos e iniciativas para o combate
Em fevereiro, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou o relatório "Food fraud in the fisheries and aquaculture sector", documento que destaca que a fraude em pescado é um problema global que afeta cerca de 20% do comércio dos US$ 195 bilhões do setor mundial de pesca e aquicultura.
Em resumo, a iniciativa surgiu da cooperação entre a Divisão de Pesca e Aquicultura da FAO e o Centro Conjunto FAO/IAEA de Técnicas Nucleares em Alimentação e Agricultura que juntos, buscaram identificar e enfrentar as diversas formas de fraude deste mercado.
De acordo com o relatório, a fraude em pescado é definida como "uma prática deliberada que tem o objetivo de enganar terceiros". Em resumo, essa prática pode causar danos à biodiversidade, à saúde humana e aos sistemas econômicos. Ainda segundo o estudo, as principais categorias de fraude identificadas são:
>> Adulteração: por exemplo, acrescentar corantes para que atum aparenta frescor
>> Contrafação: imitação de camarão com compostos à base de amido
>> Simulação: surimi embalado como carne de caranguejo
>> Desvio de mercado de produtos legítimos
>> Rotulagem incorreta, incluindo informações erradas sobre sustentabilidade
>> Excesso de captura (overrun)
>> Substituição de espécies, como vender tilápia como pargo
>> Manipulação de origem e datas de validade
>> Roubo de pescado
O documento ressalta a necessidade de harmonização das exigências de rotulagem, inclusão obrigatória dos nomes científicos e aprimoramento dos sistemas de rastreabilidade.
O relatório detalha técnicas avançadas para detecção, como ensaio imunoenzimático, análise por isótopos estáveis e ressonância magnética nuclear. Porém, o estudo também reconhece que nem todos os países têm acesso a essas tecnologias. Inovações como fluorescência de raios X portátil e modelos de aprendizado de máquina, por exemplo, também são citadas como instrumentos promissores para fiscalização.
Embora existam milhares de estudos que comprovam a disseminação da fraude, não há uma estimativa oficial global devido à diversidade de espécies (mais de 12 mil) e à variação nas definições legais de fraude. Conforme o relatório e o próprio site da FAO, algumas pesquisas indicam que até 30% do pescado em restaurantes são rotulados de forma incorreta. No entanto, nos Estados Unidos, apenas menos de 1% das importações passam por testes.
Segundo a entidade, fraudes comuns incluem a venda de salmão do Atlântico como salmão do Pacífico, com diferença de até US$ 10 por Kg, e o marketing de robalo de criação como produto selvagem italiano, triplicando seu valor. A adição de água a pescado in natura para aumentar peso também é prática frequente.
A FAO cita investigações em países como Itália, Argentina e EUA. Em Los Angeles, por exemplo, o uso de barreiras de DNA revelou que a fraude é baixa em indústrias, moderada em supermercados e alta em restaurantes de sushi - um programa local educacional reduziu a rotulagem equivocada em dois terços ao longo de 10 anos.
Por fim, o relatório enfatiza que prevenção e fiscalização, com participação do setor privado, são essenciais para combater a fraude. Neste sentido, a FAO e a Codex Alimentarius estão desenvolvendo padrões internacionais para essa finalidade, com apoio técnico oferecido pelo Centro Conjunto FAO/IAEA.
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Créditos da imagem: Canva
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