Exportadoras não convencem e SAP mantém safra da lagosta para junho
Pesca

Exportadoras não convencem e SAP mantém safra da lagosta para junho

Grupo de empresários apresentou argumentos econômicos para justificar o adiamento

15 de maio de 2020

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A Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP/Mapa) não atendeu ao pleito das indústrias exportadoras de lagosta para um adiamento do início da safra da lagosta, que efetivamente começará em 1º de junho. A videoconferência reuniu a equipe técnica da SAP e representantes da Associação Brasileira da Indústria de Pescados (Abipesca), Coletivo Nacional da Aquicultura e Pesca (Conepe) e do Sindicato das indústrias de Frio e Pesca do Ceará (Sindfrio-CE).
 
O grupo de empresários apresentou argumentos econômicos para justificar o adiamento, já que o crustáceo é vendido em sua maioria para o segmento de food service no Brasil e no exterior - segmento mais afetado pela pandemia. As indústrias ainda mencionaram o aumento do risco e contágio das tripulações no período, por conta da expansão do contágio da doença em todo o País.
 
A SAP não acatou os argumentos e apresentou Nota Técnica para subsidiar a 8 decisão manter o início da safra em 1º de junho. “Não podemos paralisar uma atividade produtiva”, disse o secretário Jorge Seif Jr. à Seafood Brasil. “Estas decisões foram baseadas em conversas com a ministra Tereza Cristina, o Presidente da República e vários pescadores, que me disseram que entre vender a lagosta mais barata ou viver de coronavoucher, preferem trabalhar e vender mais barato.”
 
Seif Jr. demonstrou preocupação com o passivo de uma eventual decisão como esta ao governo federal, cuja orientação é manter as atividades produtivas em funcionamento em meio à expansão da pandemia. “Nenhum dos argumentos, ainda que legítimos, não foram suficientes para interromper esta atividade e trazer a responsabilidade para o governo federal.”
 
Cadu Villaça, diretor técnico do Conepe, considerou a Nota Técnica “bastante evasiva e pouco sustentável”. Ele diz que a tentativa das entidades foi fazer disso uma norma que daria um benefício generalizado ao setor, mas que agora os esforços serão concentrados em “desenhar um acordo para levar à proteção das empresas como negócio e sustentada na preocupação sanitária com a tripulação e frigoríficos processadores”.
 
Para Eduardo Lobo, da Abipesca, em torno de 6 mil postos de trabalho estão em risco por conta das consequências da pandemia e da falta de demanda mundial pelo produto. “Possivelmente, as indústrias não irão comprar e a lagosta será vendida a quem quiser a preços irrisórios. A cadeia será rompida e o recurso natural será desperdiçado.”
 
Um preço normalmente pago pela indústria na lagosta inteira, segundo Lobo, é de R$ 30, mas ele já enxerga que os pescadores deverão vender no mercado local a preços abaixo de R$ 10 - "o que pode aumentar a especulação e prejudicar o patamar futuro de preços construído nos últimos anos", completa o empresário.
 

Abipesca, Conepe, Jorge Seif Jr., Mapa, safra da lagosta 2020, SAP, Sindfrio-CE

 
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