Exportação à UE: habilitação de embarcação prova que IN57 é viável
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Exportação à UE: habilitação de embarcação prova que IN57 é viável

Delfim, da Leal Santos, foi a primeira embarcação de pesca habilitada pela SAP/Mapa para exportação à União Europeia

08 de abril de 2021

Na semana passada, o setor comemorou a habilitação, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), por meio da Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP), da primeira embarcação de pesca para exportação à União Europeia. A Delfim, da empresa Leal Santos, do Rio Grande do Sul, recebeu a certificação após atender todos os critérios estabelecidos pela Instrução Normativa nº 57, de 31 de outubro de 2019. A aprovação credencia o Brasil a pleitear uma nova missão sanitária capaz de reabrir as exportações ao bloco europeu.
 
Em entrevista à Seafood Brasil, Sérgio Santos, diretor de negócios da Actemsa (matriz espanhola da Leal Santos), frisou que a reabertura à UE representará um resultado significativo ao negócio, já que em janeiro de 2018, quando as exportações foram interrompidas, a empresa tinha um grande volume de negócios dedicados a este mercado. “Aquele evento teve um grande impacto nas operações da empresa. Então, estivemos focados em entender quais eram estas exigências e quando surgiu a IN57, iniciamos rapidamente as ações”, destacou.
 
Sérgio Santos, diretor de negócios da Actemsa

“Foi necessário cumprirmos todas as exigências relacionadas com os aspectos estruturais e dos equipamentos, assim como as práticas de higiene, água de abastecimento, avaliações organolépticas e as Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC). É um nível de exigência bastante elevado, mas isso posiciona a empresa em um patamar diferenciado no âmbito do Brasil e do mundo”, acrescentou. Santos frisa que o patrocínio do presidente e acionista do grupo Actemsa, José Luis Escurís Villa, foi fundamental. "Ele nos apoiou em todo o processo e disse que teríamos que fazer o que fosse exigido pelas autoridades sanitárias para nos enquadrarmos a estas exigências."

Conforme Santos,  além de todos os cuidados sob a ótica sanitária, há também uma etapa importante que envolve a capacitação dos profissionais. “Sempre tivemos muito cuidado com isso, mas agora intensificamos tudo ainda mais. Reforçamos os controles e implementamos auditorias regulares, tanto físicas, focadas na embarcação, quanto de processos, focadas em toda a documentação. O empenho e a dedicação dos profissionais da Leal Santos das áreas de operações, qualidade e toda a tripulação foram determinantes para que pudéssemos habilitar a embarcação. Precisamos garantir a rastreabilidade até o embarque e é mais do que atender os requisitos. Foi um trabalho de mais de um ano, com apoio da Lex Experts.”
 
Para a médica-veterinária Sarah de Oliveira, da Lex Experts, organismo certificador da embarcação, dois pontos foram importantes para a conquista: a mudança de mentalidade do setor em relação ao pescado em todo o processo de captura e a consciência de que é possível adequar uma embarcação às exigências estabelecidas na IN57. “Essa mudança de mentalidade é entender, na embarcação, que a partir da captura e do armazenamento a bordo, a gente já está falando de alimento. Então, é: olhar para o pescado como alimento, desde o momento que se joga o anzol ou a rede ao mar."
 
Leal Santos
 
O diretor de negócios da Actemsa explica que a Leal Santos vem ampiando  o seu portfólio de serviços e produtos, contando com a descarga, congelamento, armazenagem, estocagem e exportação de pescados. A Leal Santos foca principalmente na exportação de pescado inteiro, mas também atua com lombo e conservas - que estão em pleno processo de expansão no mercado local e internacional. Porém destaca que os subprodutos de atum vem aumentando o seu valor agregado a cada dia. “Hoje existe uma demanda enorme por farinha, óleo e sangacho para diversos tipos de negócios”, reflete.
 
Para o futuro, as perspectivas de Sérgio Santos são as melhores. “Agora estamos prontos para receber a missão da UE e mostrar como estamos seguindo os protocolos. Conforme ele, a estimativa é a exportação em torno de 3 a 4 mil toneladas de pescado por safra para a UE. A empresa conta com cerca de 250 profissionais. São 6 embarcações próprias e parceria com embarcações de terceiros, além de uma área útil de 21000 m² e possui cerca de 11.000 m² de área de processamento.
 
Crédito das imagens: Actemsa/Divulgação

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