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Piscicultura é uma atividade muito jovem no negócio de proteínas animais no Brasil

Francisco Medeiros - 22 de outubro de 2019

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A piscicultura é uma atividade muito jovem no negócio de proteínas animais no Brasil e, mesmo aqueles considerados jurássicos ainda são novos. Estamos na primeira geração de pessoas que construíram e continuam a construir essa história. Isso significa que o conceito do perfil do negócio continua a flutuar no nosso meio, independente se estão conectados ou não à realidade atual. E é exatamente aí que temos os maiores desafios, pois a economia tem leis próprias que rompem qualquer barreira ideológica e sempre puxam tudo e todos com uma força comparável à lei da gravidade.
 
Os maiores pensadores da economia mundial tornaram-se céleres não por criar modelos de negócios, mas sim por entender como a economia se comporta em diversos ambientes e situações, além de projetar cenários futuros. E o que toda essa conversa tem a ver com a situação atual da piscicultura brasileira? Necessitamos olhar o que está acontecendo ao nosso redor, interpretar e nos recriar segundo tal realidade.
 
Há pouco tempo, a política do governo tinha o sentido de carrear todos os recursos humanos e financeiros para criar junto aos pequenos produtores um ambiente competitivo, seja por meio de palestras, cursos de capacitação, fornecimento de alevinos, máquinas para escavar viveiros, fornecimento de áreas aquícolas em águas da União, construção de frigoríficos e por aí segue um caminhão de benefícios. E o próprio caminhão. 
 
Para alguns isso fez a diferença, mas para a maioria foi apenas um sonho, uma esperança que se foi, e ficou a sensação de que o negócio de piscicultura só funciona quando o governo está junto, injetando dinheiro e doses diárias de expectativas.
 
Neste momento, observamos dois movimentos importantes na nossa piscicultura: o aparecimento de produtores e empresas que verticalizam sua produção e o crescimento rápido e competitivo de pequenos produtores agrupados em cooperativas no sistema de integração e parcerias.
 
A ação desses dois grupos vem modificando o nosso negócio e imprimindo uma nova ordem à piscicultura brasileira, uma lei não escrita, mas que avança de forma avassaladora sobre a economia como uma avalanche, sem tempo para conversar com quem não está no negócio.
 
E tudo isso está acontecendo com os dois principais grupos de nossa piscicultura: tilápia e tambaqui. No caso do tambaqui, verificamos na região de Ariquemes (RO) a consolidação da uma piscicultura forte, grande e caminhando para verticalização, assim como na Baixada Cuiabana (MT).
 
No segmento da tilápia, não é diferente: empresas e produtores correndo para verticalização e ganho de competitividade. No Oeste do Paraná, aproximadamente 70% dos produtores estão agrupados em integração com as cooperativas ou algum tipo de parceria formal ou informal com os frigoríficos. Esse arranjo produtivo criou no mercado uma nova ordem de como fazer negócio, ganhar mercado e ser competitivo, mesmo sendo um pequeno produtor.
 
Não necessitamos recorrer às cartas para saber para onde vamos. Basta parar e olhar, pois se não fizermos isso agora quando descobrir já seremos carta fora do baralho.
 
Já é hora de aposentarmos os velhos conceitos, mesmo que ainda não sejam tão velhos, mas que não são mais sustentáveis, pois estamos em uma nova ordem e olhar para trás é como olhar para baixo de cima de uma torre -  aumenta o medo e risco de acidente. Nessa nova ordem a ideia é agrupar, andar juntos, trabalhar juntos, ir para o mercado juntos.
 
A economia de mercado continua firme no seu caminho e, assim como uma trilha, pode ter alguns obstáculos e desvios, mas chegaremos ao destino. É só não sair da trilha.
 

Francisco Medeiros, piscicultura, tambaqui, tilápia

Sobre Francisco Medeiros
 
  • Diretor-presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR)
 
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