Protestos no Chile podem causar falta de salmão no Brasil e EUA
Indústria

Protestos no Chile podem causar falta de salmão no Brasil e EUA

Muitos produtores chilenos de salmão cortaram suas safras pela metade, e alguns suspenderam a atividade de processamento após os protestos

05 de novembro de 2019

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O Chile é o segundo maior produtor de salmão do mundo, depois da Noruega, que envia seu peixe, principalmente para países como EUA e o Brasil. Essas nações já sofrem fortes impactos pela dificuldade de escoamento de salmão por conta das recentes e violentas manifestações contra o governo chileno, que levaram centenas de milhares de pessoas às ruas do país e provocaram 20 mortes - motivando um processo ao presidente, Sebastián Piñera, por crimes contra a humanidade.
 
Conforme o Undercurrent News, muitos produtores chilenos de salmão cortaram suas safras pela metade, e alguns suspenderam a atividade de processamento desde que os protestos começaram no início de outubro. Eles seriam forçados a reduzir ainda mais a atividade, devido aos problemas no transporte de salmão para portos e aeroportos.
 
"Estamos trabalhando com capacidade média e se as greves aduaneiras ou outros movimentos [de transporte] se tornarem mais complicados, tudo [toda a indústria chilena de salmão] poderá ficar paralisada", disse Sebastian Goycoolea, CEO da Blumar USA, à Undercurrent.
 
Os protestos, que continuam apesar das promessas do governo de implementar algumas reformas sociais, estão interrompendo a cadeia logística do salmão no Chile. Os funcionários da fábrica não conseguem trabalhar, explicou um segundo executivo de outro criador de salmão chileno, que preferiu não ser citado pelo nome.
 
No final de outubro, o Urner Barry, plataforma especializada em relatórios sobre a indústria de alimentos, indicou que os preços do salmão subiram no período das manifestações e esse aumento devem continuar. "O aeroporto de Santiago opera muito lentamente na descarga de caminhões vindos das fábricas. Por outro lado, existem muitos vôos cancelados ou atrasados, o que obviamente está causando atrasos nos despachos", disse Daniel Montoya, diretor comercial da Salmones Blumar.
 
"Em relação aos embarques marítimos, os portos de nossa região estão fechados, [por isso não estão] recebendo cargas no momento. Diante dessas circunstâncias, as empresas produtoras [de salmão] foram forçadas a alterar seus planos de  captura e processamento", observou Montoya.
 
1 milhão de peixes jogados fora
Um milhão de peixes apodreceram nos últimos dias no Chile por conta dos reflexos dos protestos, revelou a Bloomberg. O veículo apurou que os manifestantes estão impedindo o acesso dos trabalhadores aos centros de engorda e às indústrias, o que tem matado os peixes de fome ou prejudicado a logística de escoamento dos produtos.
 
Nos centros de processamento, há 320 toneladas em decomposição, segundo comunicado distribuído pela associação SalmonChile na segunda-feira. A situação é mais crítica na cidade de Quellon, na ilha de Chiloe, no sul do país.
 
No Brasil, diversos restaurantes já sofrem os efeitos da diminuição das importações e aumento dos preços e começam a buscar alternativas, como o salmão selvagem do Alasca e trutas salmonadas.

 
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