Prioridades
Aquicultura

Prioridades

Na esfera privada, se algo der errado o prejuízo é do empresário, na esfera pública o prejuízo é de toda a sociedade

Francisco Medeiros - 30 de maio de 2019

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A definição de prioridades é sempre uma decisão difícil, nossa rotina do dia-a-dia que o diga: sobre que roupa usar, o que comer, beber. Escolher já se torna uma tarefa difícil. Estabelecer prioridades é algo que requer muita reflexão.
 
Isso não é muito diferente em nossa atividade de piscicultura, seja na esfera privada ou pública. A diferença entre ambas é que, na esfera privada, se algo der errado o prejuízo é do empresário, na esfera pública o prejuízo é de toda a sociedade.
 
A piscicultura comercial praticamente nasceu em um ambiente político muito desfavorável para o empresário brasileiro,como nos últimos 15 anos, por exemplo. Toda burocracia governamental que se possa imaginar foi incorporada à atividade, tendo sido um período muito fértil de ações para o aparelhamento do Estado – o que acabou por ditar o ritmo das ações do setor. 
 
Neste ambiente a escolha de prioridades para o setor ficou a cargo de técnicos e consultores especialistas que as escolheram a partir de conhecimento individual ou interesses que não se alinhavam com a cadeia produtiva. Um bom exemplo disso foi a criação dos parques aquícolas em Águas da União, sendo o valor financeiro desta decisão enorme, na casa de bilhões de reais.
 
Poderíamos aqui descrever várias ações prioritárias com esse perfil que foram implementadas, como a construção de dezenas de frigoríficos pelo Brasil com recursos públicos que hoje estão gerando trabalho somente para procuradores federais e órgãos de controle.
 
Essas prioridades dos últimos anos atingiram inclusive os centros de pesquisa, onde a disponibilidade de recursos não tinha compromisso nenhum com a sociedade e com os problemas enfrentados pela piscicultura. Como um bom exemplo temos a situação da Salmonella spp. envolvendo os peixes nativos brasileiros.
 
Inicialmente esse problema ceifou os maiores players que surgiram na atividade, principalmente nos estados do Tocantins e Mato Grosso, porém, isso não foi motivo de preocupação suficiente por parte dos pesquisadores, que continuavam a ignorar o problema, enquanto o segmento descia ladeira abaixo.
 
Apesar de alguns equívocos passados, a piscicultura atualmente está elencando suas prioridades e dizendo bem claramente para toda a sociedade o que deseja. O cardume cresceu e queremos expandi-lo cada vez mais.
 
Abaixo, prioridades que consideramos essenciais: 
- Toda ação regulatória do Estado deve estar subsidiada ao interesse da sociedade. Planejamento e ordenamento sem a participação do setor não é legítimo.
- Os centros de pesquisa e órgãos de financiamento devem trabalhar com temas que tragam competitividade ao nosso negócio, estimulando a elevação da produção, melhoria de qualidade e tornando essa nobre proteína acessível a toda população.
- Política tributária não predatória. Não faz sentido para um Estado gordo e pesado como é o brasileiro, implantar a cada dia uma maior carga tributária para manter o “status” da máquina administrativa. Se desejamos produzir para o mundo, necessitamos de tributação e encargos trabalhistas menores, como praticado em tantos outros países do mundo, mais competitivos que nós.
- Desejamos menos gabinete e mais peixe no prato.
 
#coma+peixe

comamaispeixe, tamanho do Estado, burocracia, Águas da União, centros de pesquisa

Sobre Francisco Medeiros
 
  • Diretor-presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR)
 
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