Pesca cobre mais de 55% dos oceanos; impacto é maior onde não há gestão pesqueira

Pesca cobre mais de 55% dos oceanos; impacto é maior onde não há gestão pesqueira

Barcos pesqueiros navegaram 460 milhões de quilômetros - 600 vezes a distância entre a Lua e a Terra

08 de março de 2018

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Um estudo publicado e fevereiro na revista Science mostra a extensão da pesca industrial global e abre portas para a compreensão sobre as melhores políticas de gestão pesqueira no mundo. Conduzida por uma equipe de pesquisadores da Global Fishing Watch (GFW) projeto da National Geographic com apoio de várias universidades norte-americanas, além do Google, a pesquisa concluiu que a pesca ocorre em mais de 55% dos oceanos do planeta - área equivalente a 4 vezes toda a área usada no mundo para a agricultura.

A abrangência do estudo é invejável. Ao longo de cinco anos, os autores investigaram 70.000  barcos, mais de 75% das embarcações industriais de pesca maiores que 36 metros. O acesso a todos os dados capturados pela pesquisa pode ser feito por este site. "Ao publicar os dados e a análise, queremos aumentar a transparência na indústria da pesca e aumentar as possibilidades para o gerenciamento da sustentabilidade", indicou o principal autor, David Kroodsma, diretor de pesquisa e desenvolvimento da GFW.

Os dados possibilitaram aos pesquisador descobrir, por exemplo, que a maior parte das nações parecem pescar dentro de suas Zonas Econômicas Exclusivas (ZEEs), mas China, Espanha, Taiwan, Japão e Coreia do Sul respondem por 85% da pesca em mares internacionais. Mais de 40 milhões de horas de pesca foram observadas só em 2016. Os barcos acompanhados navegaram mais de 460 milhões de quilômetros - 600 vezes a distância entre a Lua e a Terra.

Outra conclusão é que quando e onde a pesca ocorre está mais ligado à política e cultura, como feriados e períodos de recesso em alguns países, do que a ciclos naturais, como variação climática ou migração de cardumes - o que sugere uma dinâmica totalmente empresarial. "O estudo mostra que a pesca é um processo industrial em que os barcos operam mais como fábricas flutuantes que precisam funcionar como um relógio para fazer dinheiro", diz o co-autor Boris Worm, da Universidade Dalhousie. “Por outro lado, no entanto, os dados mostram claramente onde as fronteiras do gerenciamento pesqueiro estão bem delimitadas e como estão ajudando a conter os esforços de pesca."

Sylvia Earle no Brasil

A bióloga Sylvia Earle, conhecida por ser uma espécie de herdeira de Jacques Cousteau na tradição conservacionista dos oceanos, desembarcou no Brasil nesta semana para lançar seu livro A Terra é Azul em plena Fiesp, em São Paulo, na última segunda-feira, 05/03.

O título, publicado pela Sesi-SP Editora, discute a urgência de preservar os oceanos. Pegando carona na convidada ilustre, o presidente da Fiesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, aproveitou a ocasião para dizer que enviou uma carta ao presidente Michel Temer pedindo a criação de duas áreas de proteção ambiental (APAs) marinhas, uma em São Paulo e a outra no Rio de Janeiro.

A criação de parques marinhos ou áreas de preservação é uma bandeira importante no trabalho de Earle. "As nossas vidas consistem em retirar tudo da natureza, mas não podemos 'simplesmente levar tudo o que queremos'. Temos de proteger as áreas de alimentação e reprodução das espécies”. Segundo a pesquisadora, os parques e reservas terrestres têm mais de 100 anos de existência.

Global Fishing Watch, National Geographic, Oceana, pesca industrial, pescaria, Zona Econômica Exclusiva

 
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