A história e o presente do salmão no Chile
Aquicultura

A história e o presente do salmão no Chile

Chile muda regulamentação e investe em tecnologia para superar limitação de áreas, críticas sociais e atender à crescente demanda global

14 de junho de 2019

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Chile e Noruega têm águas frias, cristalinas e territórios com baixa densidade populacional, e este ambiente favorece a indústria do salmão Atlântico (Salmo salar) - mais lucrativa do pescado em todo o mundo-, mas está longe de ser o único fator responsável por ter criado as duas principais potências do negócio. 
 
Ao contrário do que muitos podem pensar, noruegueses e chilenos caminharam paralelamente na salmonicultura. Em 1921, o então Instituto de Fomento Pesqueiro (IFOP) chileno importou os primeiros reprodutores de salmão Coho. Muitos estudos foram realizados para criar uma cadeia produtiva e resolver problemas produtivos, mas foi com um acordo com o Japão que se deu o salto necessário, já na década de 1970. 
 
 
O governo chileno queria fazer o povoamento de salmão, enquanto os japoneses precisavam de novas fontes de matéria-prima para abastecer o consumo crescente de pescado. Um convênio firmado em 1972 provocou a vinda de técnicos japoneses para desenvolver uma piscicultura para importar ovas de salmão keta (Oncorhynchus keta), incubá-las e soltá-las no rio para que seguissem seu ciclo.
 
Em 1978, o governo criou a Subsecretaria de Pesca e Serviço Nacional de Pesca (Sernapesca). Técnicos governamentais viram de perto a iniciativa dos japoneses de estabelecer tanques no mar para formar reprodutores e produzir ovas localmente, acreditando que isso facilitaria o regresso para a água doce. Isso nunca aconteceu, mas a experiência mostrou que a engorda em condições controladas era possível. 
 
Um dos técnicos era Mario, irmão de Víctor Hugo Puchi. Em entrevista à revista Salmon Expert de agosto, contou como o irmão passou a trabalhar na área e, depois de férias em Puerto Montt, ambos decidiram investir na atividade com um companheiro de trabalho chamado Pablo Aguilera. Juntos, fundaram a AquaChile em 1978, dedicada inicialmente à produção de formas jovens.
 
O setor privado também se organizou e deu origem a Fundación Chile, um organismo com participação do Estado, que adotou a missão de criar inovações de alto impacto para setores estratégicos. O órgão financiou uma série de pesquisas fundamentais para o setor e criou as bases para a fundação da SalmonChile, em 1986, para agregar as principais produtoras de salmonídeos.
 
Em 1985, já havia no Chile 36 centros de cultivo, com uma produção total superior a 1.200 toneladas. Felipe Puga teve seu primeiro contato com o segmento naquela época. O menino gostou tanto que foi estudar biologia marinha em 1990 e cinco anos depois ingressou formalmente no negócio como vendedor para mercados internacionais. “Eu era um dos que estavam nas áreas comerciais nesta época. Viajávamos com um mapa para mostrar onde estava o Chile e ninguém sabia o que era o salmão”, relembra Puga. 
 
Novamente o Japão foi definitivo. A partir do consumo já estabelecido entre os asiáticos, também emergente entre os norte-americanos, empresas como a Ventiqueros, Pacific Star (depois Salmones Austral) e Marine Harvest passaram a buscar novos mercados. “No fim da década de 90 o Chile começou a vender salmão ao Brasil”, conta o executivo, que passou por todas estas empresas e hoje dirige as vendas da Cermaq.
 
Não por casualidade, esta foi a época em que os restaurantes orientais começaram a se popularizar entre os brasileiros, culminando com a criação dos rodízios na virada do século. Para consolidar este novo canal e popularizar o consumo também em casa, Puga e outros executivos de 22 empresas apresentaram ao governo, através do Instituto de Promoção de Exportaciones de Chile (ProChile), um projeto de marketing conjunto para criar uma marca-país, a Salmón de Chile.
 
Anos de aprendizado 
 
Se do ponto de vista comercial a indústria do salmão teve muito sucesso, sob a ótica produtiva foi provavelmente a maior curva de aprendizado social, ambiental e tecnológico de todas as atividades que integram a economia chilena. “Fomos tratando de chegar ao máximo produtivo, até que o meio ambiente te diz de uma forma muito dura, com vírus e doenças, que você chegou ao limite”, reconhece Puga.
 
A própria indústria procurou se ajustar, com um Código de Boas Práticas, mas as comunidades no entorno dos centros de cultivo, além dos próprios pescadores e da sociedade civil chilena, aumentaram a pressão sobre o setor privado a níveis inéditos em 2008. 
 
Já havia profundas preocupações da opinião pública com a contaminação do mar e do solo abaixo dos tanques, o uso de antibióticos e escapes, até que o vírus da Anemia Infecciosa do Salmão (ISA) disparou um alerta de que a autorregulação não era suficiente para controlar os problemas decorrentes da expansão da atividade. Ela chegou em 2007 e provocou um impacto ainda mais profundo que a morte de metade da biomassa cultivada, o fechamento de fábricas e milhares de demissões.
 
Como explicou Puchi na entrevista, o setor se deu conta de que a regulação era muito fraca para lidar com temas biológicos não previstos, como o ISA. Todos aprenderam, porém. “Foi um choque cultural e social. Afetou a cadeia produtiva em sua totalidade e com um sistema financeiro alerta, retirando recursos do sistema que produzia uma asfixia para os que se enfraqueceram”.
 
A Sernapesca reagiu e determinou uma série de medidas, desde restrições à importação de ovas até a criação de áreas delimitadas - os bairros produtivos - com descanso sanitário de três a quatro meses, houve também resoluções de limites de densidades de estocagem, entre outras determinações. 
 
Às vésperas da aprovação de uma nova lei de aquicultura, a indústria se antecipou e organizou um fórum de sustentabilidade durante a 10ª AquaSur, entre 17 e 20 de outubro de 2018.
 
A iniciativa partiu da Global Salmon Sustainable Initiative (GSSI), uma entidade com empresas chilenas, canadenses e norueguesas destinada a melhorar processos para reduzir o impacto da atividade no meio e nas comunidades. 
 
O diretor geral da GSSI, Avrim Lazar, falou em autocrítica. “Quando a indústria quer contar a história escolhe imagens ótimas e diz que são ótimas, mas o público não engole. Não existe indústria no mundo que seja boa o suficiente, então você não pode dizer que é perfeito.”
 
Na visão dele, a comparação com outras proteínas animais para reforçar a sustentabilidade da atividade não é suficiente. “Podemos ser bons comparados a outros padrões, mas ainda precisamos melhorar dentro dos nossos padrões. Somos os melhores especialistas naquilo que precisamos melhorar“, concluiu. 
 
Marine Harvest: colosso
A Marine Harvest é o resultado de uma série de fusões na Noruega, detém de 25% a 30% do mercado mundial de salmão, com faturamento superior a 3,6 bilhões de euros. Tal fusão desencadeou uma expansão irrefreável até o momento pela Escócia, Canadá, Ilhas Faroe, Irlanda e o próprio Chile, onde opera desde 1975.
 
Para suportar o volume de 370 mil toneladas anuais, a empresa funciona como um organismo vivo, com cada unidade regional operando de forma autônoma - mas complementar desde a genética aos aspectos comerciais. 
 
As diferentes divisões internas adotam uma relação cliente-fornecedor e precisam negociar diretamente, como é o caso da Piscicultura Copihue com os centros de cultivo. “Temos vários clientes internos. É um processo em que o cliente nos visita, vem ver amostras de qualidade e chega a um acordo de porcentagem. Depois se faz a venda. É como se fossem empresas separadas”, detalha Mauricio Rodrigo Díaz, assistente do centro. 
 
 
 
O sistema dos contadores de ova é automatizado em uma velocidade de 100 mil ovas por hora, na sala de 30 m². Copihue opera com apenas 9 funcionários, que recebem os reprodutores, engordam, maturam e desovam. 
 
São 25 milhões de ovas verdes (recém-fertilizadas) incubadas com água de poço, estéril, cuja temperatura é controlada para atrasar ou adiantar o embrião. Toda a água que ingressa no cultivo passa por filtros UV e de sólidos suspensos, assim como a que sai também.
 
Na maturação, os reprodutores de 3kg a 5kg são acondicionados em três áreas com 16 tanques com água do rio Copihue que somam 1120 m³ e têm estocagem de 50 kg por m³. Juntos, têm capacidade de engordar 30 toneladas de reprodutores até 10 kg, peso ideal para a desova.
 
Além de produzir grandes volumes, a unidade tem a responsabilidade de subsidiar o trabalho genético iniciado em outras unidades. 
 
A busca contínua pela eficiência é marca de uma empresa que já enxerga como se dará o crescimento da salmonicultura mundial. “Estamos perto do limite. A demanda cresce em média 7% e a produção de 2% a 3% por ano. A longo prazo isso se soluciona com tecnologia, ou com fazendas offshore ou de ciclo fechado em terra”, vislumbra Bruno Stingo, atual gerente de vendas da Marine Harvest Chile. 
 
O vigor da Cermaq 
A Cermaq é uma espécie de joia que o grupo multinacional e multissetorial Mitsubishi Corporation encontrou quando decidiu entrar de cabeça no negócio do salmão. O mercado foi surpreendido quando o grupo anunciou uma oferta de US$ 1,4 bilhão para adquirir o controle da salmoneira norueguesa e todas as suas atividades no Chile.
 
O grupo japonês desbancou concorrentes que estavam no páreo e, dois anos depois, fusionou a nova companhia com a tradicional Salmones Humboldt. Nascia uma gigante, com 130 licenças de cultivo - que valem muito no Chile - e 15 centros de produção de formas jovens. 
 
A etapa mais recente desta ascensão veio com a compra do maior barco de transporte de peixes vivos (wellboat) em operação na salmonicultura chilena. O Ronia Diamond foi construído pelo estaleiro norueguês Sølvtrans sob medida para a Cermaq, como indica o próprio nome de batismo: em japonês, Mitsu significa três, enquanto Bishi representa diamante. 
 
 
 
A embarcação de US$ 42 milhões é uma pedra preciosa para a operação da Cermaq Chile: dois motores Rolls-Royce Marine de 630 Kw cada movimentam os peixes dos centros de cultivo distantes da costa para os centros de manutenção em terra (acopios). 
 
Todo o projeto foi pensado de forma a contemplar princípios de bem estar animal, como explica Patricio Saavedra, capitão e fish master da Sølvtrans. “Os ângulos de trabalho do encanamento, velocidade de sucção e de transporte, além dos volumes, tudo foi pensado de acordo com as normas europeias.” 
 
Toda a tubulação também foi adaptada, como explica Daniel Cabrera, gerente de logística da Cermaq. “São três tubos de sucção com 20 polegadas de diâmetro [o convencional tem 14 ou 16 polegadas], que permite carregar até 300 toneladas por hora às piscinas, sem gerar tanto estresse aos animais.” Internamente, até os ângulos da tubulação não são retos, de forma a evitar o choque do animal contra as paredes dos canos. 
 
O barco também faz a operação inversa, transferindo os peixes do porão do navio ao acopio de Chinquihue. Nesta estrutura semelhante a uma piscicultura continental, tanques de 20x20m abrigam os animais durante no máximo cinco dias. 
 
Dentro deste período, por determinação da legislação chilena, as empresas são obrigadas a transferir os animais para a planta de abate. No caso da Cermaq, o frigorífico fica em frente ao acopio e se comunica com ele por tubulação. Os peixes chegam vivos ao frigorífico, sugados pela bomba que se conecta ao barco.
 
Altos volumes 
A planta de Chinquihue, um bairro de Puerto Montt, faz o processamento primário e filetamento do salmão trazido pelo Ronia Diamond. O edifício de dois andares é capaz de processar 5 mil toneladas por mês ou 45 mil peixes ao dia. 
 
“A planta orienta seu processo produtivo a elaborar produtos em pré-rigor mortis, segundo o qual a matéria-prima deve ser processada antes de 8 horas, com a finalidade de melhorar o frescor e qualidade organoléptica do produto final”, diz Francisco Torres, chefe de controle de qualidade.
 
Além do processamento primário, que consiste no abate e evisceração do produto para o H/ON (formato preferido para o Brasil), a planta também incorporou duas linhas de filés frescos - em breve serão três.
 
Tudo para suportar a alta demanda do departamento comercial, desde meados do ano sob a direção de Felipe Puga, ex-Marine Harvest. O executivo é uma autoridade no setor e dá pistas do motivo pelo qual topou o desafio de se transferir à Cermaq. “A indústria do salmão aprendeu que existe um limite que não se pode ultrapassar. O Estado teve um papel regulador e, com tudo isso, chegamos a uma indústria mais ordenada e com preços mais estáveis”, diz. 
 
Para ele, a sustentabilidade em aprimoramento foi a isca para os japoneses. “Se a Mitsubishi aposta nesta indústria é porque estamos em um momento mais estável e a caminho de ser uma indústria muito robusta”, conclui. 
 
AquaChile: ator da consolidação
 
No ano em que completa 30 anos de existência, a Empresa AquaChile consolidou também uma mudança fundamental no perfil. Durante três décadas a organização comandada pelas famílias Puchi e Fischer se notabilizou por adquirir concorrentes menores, de forma a consolidar a indústria do salmão. Foi assim que a companhia se tornou a segunda maior salmoneira no Chile e a sexta em todo o mundo.
 
A dinâmica começou a mudar em 2015, quando a empresa começou a receber investidas de grupos interessados em comprá-la. Enquanto isso, a AquaChile seguiu seu ritmo tradicional e, em maio de 2018, anunciou a compra da Salmones Magallanes por US$ 225 milhões. 
 
Na esteira da transação, a Agrosuper, maior conglomerado de proteína animal do Chile, pagou US$ 850 milhões para construir a segunda gigante mundial, com mais de 200 mil toneladas de pescado combinadas. 
 
A AquaChile encerrou 2017 com um Ebitda recorde na sua história (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 142 milhões, segundo o Relatório Anual da empresa publicado este ano. Reflexo de um Plano de Eficiência e Competitividade (PEC) com o qual se envolveram todos os 4.949 funcionários. 
 
 
 
Os números de 2018 também são superlativos: vendas de US$ 220 milhões no terceiro trimestre e lucro líquido de US$ 15,6 milhões. Mas para além dos resultados financeiros, as unidades produtivas da empresa no Chile se destacam em uma salmonicultura com margens cada vez menores. 
 
É o caso do centro de engorda Abtao, a 55 km de Puerto Montt, uma balsa flutuante que serve de lar, refeitório, armazém e centro de monitoramento da produção. São dois módulos produtivos da concessão: um com 10 tanques de 30x30 e outro com 8 tanques de 30x30. 
 
O desempenho é parte fruto do investimento em genética da AquaIn- novo, subsidiária da AquaChile para o melhoramento genético, mas também das características locais e do manejo planejado e executado a partir do pontón. “O centro está bastante protegido e abrigado e a logística é muito amigável, mas adotamos uma série de medidas”, diz o chefe do centro, Daniel Maldonado. 
 
O monitoramento é constantemente supervisionado, mas 100% automatizado. “Temos sistemas de câmeras e computadores que controlam os kgs de entrega de ração que fazemos, mas nós mesmos regulamos de acordo com o comportamento dos animais”, explica Danilo Peña, assistente técnico do centro. 
 
Cerca de 250 peças de cada tanque, ou 10% da população, são retirados periodicamente para amostragens. Os animais são pesados, medidos e tem uma série de parâmetros aferidos. Tudo para evitar contaminação no cultivo e surpresas desagradáveis no principal frigorífico da empresa, situado em Cardonal, a 5km do centro de Puerto Montt. 
 
Ali processa 5 mil toneladas todos os meses. Atualmente a planta opera com 90% da capacidade instalada em dois turnos, com 850 pessoas. São 7 mil m² de área, na qual a empresa investe em tecnologia para consolidar e criar novos mercados para as exportações, atualmente em 30 mil toneladas anuais. Recentemente, o frigorífico aumentou em 15% a capacidade de recepção de matéria-prima, automatizando a evisceração.
 
Los fiordos: sustentabilidade com frescor e inovação 
A região ao sul de Puerto Montt concentra diversas fábricas de ração para aquicultura. As gigantes Skretting, Biomar e Ewos estão entre elas, mas uma fábrica mais acanhada se destaca já quase no acesso à ilha de Chiloé. A fábrica de ração da Los Fiordos, braço da gigante chilena Agrosuper para o pescado. A planta de alimentos produz exclusivamente para as três pisciculturas, o centro de transferência e os três centros de cultivo do grupo com 103 concessões. 
 
A responsabilidade de Arnaldo Guerra, gerente da planta de ração, é proporcional ao tamanho da operação.“Os centros fazem seu pedido em um sistema centralizado. Nossa gerência de produção no mar avalia o pedido e nós inserimos em nosso fluxo de produção.
Depois despachamos ao píer e daí vai em barcos aos centros de cultivo”, explica. 
 
A vantagem que ameniza o desafio é fazer parte de um grupo que por um lado fornece proteína animal e compra grãos para todas as unidades. Na fábrica, é possível armazenar até 3 mil toneladas de matéria-prima além de 2600 toneladas de óleo. 
 
Alta tecnologia também no processamento dos rejeitos. A empresa instalou um biofiltro para controle de 99,7% dos odores da planta. Basicamente, trata-se de um sistema que retira todos os vapores e partículas com odor da planta e o transfere a uma área externa,em que lascas de madeira retém as partículas odoríferas situadas no nitrogênio liberado por bactérias.
 
Centro de transferência
 
A Los Fiordos é uma das poucas salmoneiras situadas no Chile que construíram um centro de transferência próprio. Trata-se de uma etapa intermediária no desenvolvimento dos peixes em água doce e água do mar. 
 
 
O objetivo é permitir que os animais cheguem em melhores condições aos centros de engorda, como explica Marcelo Alvarez, chefe do centro de transferência Pargua. “O principal objetivo é dar uma boa smoltificação [série de mudanças fisiológicas em que o salmão se adapta para sair da água doce e ir para o mar].” Como está bem diante do mar, tem salinidade barata e natural. “Isso garante que o peixe esteja totalmente adaptado à nova fase.” 
 
A unidade é capaz de produzir 12 milhões de unidades com 200 g, depois de receber os animais com 33 g das pisciculturas. Quando chegam a 80 g, recebem uma dose de vacinação e depois começam a se aclimatar à água salgada com uma mistura gradual.

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